O Banco Central (BC) considera que não há risco relevante para a estabilidade financeira no país. A avaliação consta no Relatório de Estabilidade Financeira (REF) relativo ao primeiro semestre e publicado nesta quinta-feira. Para o BC, o Sistema Financeiro Nacional (SFN) permanece com capitalização e liquidez confortáveis, além de provisões adequadas.
“Os testes de estresse de capital e de liquidez demonstram a robustez do sistema bancário”, apontou o documento.
O BC destaca que o SFN continua “bem provisionado para perdas estimadas com crédito”. “Em todos os segmentos, a provisão acompanhou a dinâmica das perdas esperadas e permanece superior à estimativa de perdas na maioria das instituições”, aponta o REF.
De acordo com o documento, o sistema bancário “mantém solidez para absorver as alterações regulatórias e sustentar o regular funcionamento da economia”. O REF destacou que a capitalização continua “confortavelmente” acima dos mínimos regulamentares, apesar de “leve retração” no primeiro semestre de 2024.
Mencionando os resultados de análises de risco e testes de estresse de capital e liquidez, o relatório aponta que a resiliência do sistema bancário foi demonstrada em todos os cenários estimulados.
“Embora alguns bancos terminem o exercício com capital abaixo do mínimo regulamentar, os resultados dos testes de estresse de capital permanecem indicando que não haveria desenquadramentos relevantes”, disse.
O Relatório de Estabilidade Financeira também aponta que o financiamento à economia real “voltou a acelerar”, em linha com o crescimento da atividade “acima do esperado”.
O BC destacou que a aceleração no crédito para pessoas físicas foi mais acentuado nos empréstimos não consignados e no financiamento de veículos. Já o crédito para pessoas jurídicas foi puxado pelas grandes empresas.
O relatório ainda diz que houve “captações relevantes” de fundos de investimento de crédito privado que financiam dívidas corporativas. Essas captações aconteceriam em um cenário de spreads reduzidos, mas o aumento da liquidez mitigaria o risco.
No documento, o Banco Central explica que os fundos são “importantes detentores de dívida corporativa doméstica” e as captações estão relacionadas com as rentabilidades. Nesse sentido, uma alta demanda por títulos de dívida privada tem causado uma compressão dos spreads.
“Eventuais aumentos de spreads podem afetar a rentabilidade e, consequentemente, a atratividade desses fundos, o que poderia dificultar novas emissões de títulos corporativos, reduzindo o acesso a uma importante fonte de financiamento para as empresas. Porém, aumentos tanto da profundidade do mercado de crédito privado quanto das aplicações desses fundos em títulos públicos federais (TPFs) e operações compromissadas reduzem o risco de liquidez”, diz o relatório.
Fonte: Valor Econômico
