Os gestores de fundos multimercados reduziram as compras de ações do Brasil em janeiro, mas aumentaram as aplicações nas bolsas dos Estados Unidos neste mês – aponta estudo da plataforma XP com 24 gestoras de fundos multimercados entre 16 e 23 de janeiro. O movimento vai na contramão dos gringos, cuja entrada mensal na B3 já é a maior desde dezembro de 2023.
O resultado desse movimento impressiona.
Apenas nestes poucos dias de 2026, o Ibovespa já subiu 13%. Para base de comparação, investimentos de renda fixa rendem hoje 15%. Ao ano. Considerando que, ao logo de 2025, o principal índice da bolsa já havia subido 34%, existe o temor de queda chegando também em grandes proporções. Isso porque, pós tantas altas, parte das ações negociadas no Brasil estariam “caras” – ou seja, com preços muito além da potencial geração de lucros das empresas.
- Os gestores dessa categoria de fundos podem apostar em renda fixa e variável de qualquer lugar do mundo. No começo de 2025, 33% deles contavam com a alta das ações brasileiras e essa fatia saltou para 56% em dezembro de 2025. Agora, caiu para 42%. Já em relação às bolsas americanas, aconteceu o contrário. A exposição recuou de 60% em janeiro de 2025 para 48% em dezembro de 2025. Mas acaba de aumentar para 63%.
A pesquisa mostra que os gestores diminuíram o consenso para as ações brasileiras. Como o Valor Investe mostrou aqui, alguns gestores têm preferido investir em ações americanas do que na bolsa brasileira, por considerarem que há mais oportunidades de ações baratas nos Estados Unidos do que localmente, depois de a bolsa daqui andar. Eles gostam principalmente dos papéis ligados à inteligência artificial.
Além disso, os gestores esperam que a eleição trará volatilidade para as ações brasileiras. A avaliação é que os estrangeiros têm uma cabeça diferente e enxergam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com melhores olhos do que o mercado brasileiro. A expectativa é que os gringos possivelmente seguirão investindo na bolsa brasileira independentemente das notícias relacionadas à eleição, o que deve contribuir para a alta das ações. Mas os papéis locais não devem andar como os americanos.
Ontem, em meio ao forte fluxo estrangeiro para as ações brasileiras, Luis Stuhlberger, gestor do fundo multimercado Verde, afirmou que os investidores do mundo ignoram a eleição no Brasil. “Aparentemente, o recado que o estrangeiro está nos dando é que ele calcula que um eventual governo Lula 4 não vai ser muito pior do que está aí”, disse, em evento do UBS BB.
Não significa que gringos não se preocupem com política. No caso deles, no entanto, os riscos oferecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parecem assustar mais do que os de Lula. Assim sendo, estrangeiros passaram a buscar diversificação em bolsas emergentes como a brasileira, menos expostas a riscos geopolíticas.
A entrada dos estrangeiros no país tem ajudado a desvalorizar o dólar, que ontem recuou a R$ 5,21. Resultado? No começo de 2025, apenas 33% dos gestores investiam apostando na alta do real. Em dezembro de 2025, a fatia subiu para 57%. E, agora, aumentou para 72%.
O que os gestores projetam para a Selic
Todos os gestores do estudo esperam que os juros serão mantidos nesta quarta-feira (28), tanto no Brasil quanto no exterior. A novidade está nas previsões para a Selic para o final deste ano.
No começo de 2025, os gestores previam a Selic em 15% no fim deste ano, em um ambiente carregado de incertezas em relação ao fiscal, com o dólar e inflação pressionados. Agora, um ano depois, a expectativa para os juros no fim deste ano caiu para 11,8%, com o exterior mais positivo para o Brasil e com o dólar recuando.
Fonte: Valor Investe

