Por Adriana Cotias — De São Paulo
13/09/2023 05h03 Atualizado há 5 horas
Num ano em que a indústria de fundos perdeu vigor, com resgates líquidos de quase R$ 125 bilhões até julho, chama a atenção o incremento da captação da Reag Investimentos. Foram R$ 28,4 bilhões, concentrados em dois veículos de participação em empresas (FIP) familiares exclusivos, que acrescentaram R$ 26,8 bilhões ao patrimônio da gestora, que reunia então R$ 175,6 bilhões.
A casa ocupava o 8º lugar no ranking de gestão de recursos da Anbima, figurando como uma das maiores operações independentes, não ligada a grandes bancos. No fim de 2021, o patrimônio da Reag beirava os R$ 60 bilhões, na 17º colocação do setor.
Segundo João Carlos Mansur, fundador e CEO da asset, o crescimento recente deriva de algumas aquisições, a exemplo da gestora de patrimônio Quadrante Investimentos, selada no início do ano.
Um dos FIPs veio da aquisição da Quadrante. O outro resultou da liquidez de um grupo empresarial que a Reag auxiliou na reorganização societária, e a família resolveu trazer os recursos que estavam em outra gestora. “Não é dinheiro novo, é rouba-monte.” Nessa toada, Mansur espera duplicar de tamanho neste ano, com a combinação de crescimento orgânico e inorgânico. A estreia em gestão de riqueza também foi fruto de outra aquisição, de uma participação de 49,9% da butique de investimentos carioca Rapier, no início de 2022.
Ao longo de sua trajetória, desde 2006, a Reag transita no universo dos fundos exclusivos de participações e de ativos imobiliários para famílias ricas e empresas. Com atuação em serviços fiduciários, alavancagem financeira, securitização e estruturação de ofertas públicas e restritas, o modelo é mais próximo do que faz um banco de investimentos. Só depois foi para o mundo dos fundos líquidos e para a gestão de riqueza efetivamente.
A proposta de taxação de fundos fechados exclusivos e reservados, usados por grupos familiares endinheirados, não é uma discussão nova, afirma Mansur, e o mercado já vem se preparando para as mudanças que podem ocorrer. Por se tratar de uma Medida Provisória (MP), com mais de 120 emendas, ainda não dá para saber o resultado das discussões na comissão mista que vai avaliar o projeto.
Uma das alterações previstas é instituir o come-cotas, o imposto semestral que incide nos fundos abertos de renda fixa, multimercados e cambiais, para os veículos fechados. O projeto prevê um desconto a quem optar pela antecipação de imposto relativo a ganhos acumulados. “Tributar o passado não existe no mundo. Isso causa insegurança jurídica grande para quem quer entrar no mercado ou vir para o Brasil”, afirma. “Na Reag, a gente já mapeou todos os clientes e já sabe o caminho que vai seguir. As famílias, de maneira geral, estão preparadas há muito tempo e quando efetivamente acontecer, todo mundo se adapta.” Ele acrescenta que, para meia dúzia de clientes, o efeito será positivo.
Como os FIPs que tem dentro de casa são classificados como “entidades de investimentos”, conforme classificação de auditoria externa que enquadra os veículos às regras da CVM, os fundos não estariam sujeitos ao come-cotas, diz Mansur. A tributação ocorreria apenas no momento da liquidez.
O executivo antevê uma potencial fuga de recursos do país, com algumas famílias e empresas optando pela mudança de domicílio pela conveniência fiscal. Com saída definitiva do país, poderiam, eventualmente, investir como estrangeiros. A Reag já pensa em ter um escritório de representação em Portugal, conta o executivo.
Fonte: Valor Econômico
