Com um teto “rígido e baixo” na aprovação de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “não é favorito para vencer” as eleições de outubro. A avaliação é sustentada pelos profissionais da Mar Asset Management, para quem a baixa avaliação do governo é “incompatível com a reeleição de um incumbente”.
A visão da Mar Asset marca algumas diferenças em relação à visão consensual da Faria Lima, que tem visto Lula como favorito na disputa pelo Planalto. No site de apostas Polymarket, comumente citado por participantes do mercado, o petista aparece neste domingo com 65% de chance de vitória em outubro contra 27% de Flávio Bolsonaro.
A gestora carioca defende que, neste momento do ciclo eleitoral, as pesquisas de intenção de voto em um eventual segundo turno não costumam ser o melhor indicador do resultado. “Em uma eleição com presidente candidato à reeleição, a variável que mais importa é como a população avalia o governo atual: apenas 2% não sabem responder a essa pergunta, contra 18% de brancos, nulos e indecisos quando perguntados sobre o voto no segundo turno, em pesquisas como a Quaest”, observam os profissionais na carta divulgada neste mês.
A Mar Asset, assim, propõe um exercício ao observar três ciclos eleitorais em que houve disputa pela reeleição presidencial com segundo turno: Lula 2006, Dilma 2014 e Bolsonaro 2022.
“Para todos, calculamos como o eleitor converteu sua avaliação de governo em voto. Em 2006, 87% de quem avaliava o governo Lula como ótimo ou bom votou nele, contra 6% de quem avaliava como ruim ou péssimo e 34% dos que avaliavam como regular — a combinação 87/34/6. Na Dilma de 2014, essa conversão foi 86/36/2. No Bolsonaro de 2022, 94/49/26”, afirmam. A conversão elevada do ex-presidente Jair Bolsonaro é justificada pelos profissionais da Mar como reflexo de uma eleição “extremamente polarizada” — um cenário parecido com o de 2026.
“Ainda assim, mesmo com essa conversão mais vantajosa, Bolsonaro perdeu por ter uma avaliação de governo ruim. A avaliação do governo Lula é pior do que a de Bolsonaro às vésperas das eleições de 2022. A conversão de votos do Jair de 2022 aplicada sobre a avaliação do governo Lula 3 indica uma derrota do atual presidente no segundo turno por cerca de 10 pontos”, calcula a gestora carioca, cujas cartas costumam repercutir de forma relevante na Faria Lima.
Lula, contudo, segue à frente nas pesquisas de intenção de voto, o que é atribuído pela Mar ao nível elevado de eleitores indecisos quando perguntados sobre o voto no segundo turno. No grupo dos votos brancos, nulos e indecisos, a avaliação do governo, de acordo com a gestora, costuma ser pior do que a média.
“Redistribuindo esse estoque conforme a avaliação, e assumindo que os indecisos convirjam para o nível da eleição passada, de 5%, a média das pesquisas já mostra empate técnico, com algumas apontando derrota de Lula”, diz a Mar Asset.
Para a gestora, se a avaliação líquida do governo ficar em torno de +10 pontos e a conversão ficar acima de 50, “mudaríamos nossa leitura de que Lula é favorito a perder”.
“Até aqui, apesar da confusão na candidatura de oposição e do intenso trabalho do marqueteiro Sidônio Palmeira, efetivo ministro da Casa Civil, Lula não ultrapassou essa barreira. Resta saber se a campanha presidencial terá essa capacidade. Não descartamos a possibilidade, e montamos um arcabouço amplo para identificar qualquer mudança de direção — mas não nos parece óbvio, como o mercado sugere, que a campanha consiga o que a sequência de pacotes e estímulos fiscais não conseguiu até aqui”, enfatizam os profissionais da Mar Asset.
Com outubro batendo à porta, as eleições têm sido o principal tema nas conversas de gestores de recursos, economistas e participantes do mercado, de forma geral, como tem mostrado o Intraday. E, de forma geral, Lula tem sido visto como favorito na disputa, ainda que o grau de favoritismo seja um fator discutível, com alguns agentes vendo o presidente com algo entre 50% e 60% de chance de vitória, contra alguns que o veem com mais de 70%.
Fonte: Valor Econômico