O ex-presidente uruguaio tratou do tema ao participar de cerimônia no Palácio do Planalto como integrante da Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA)
Por Renan Truffi e Fabio Murakawa, Valor — Brasília
01/03/2023 17h56 Atualizado há 16 horas
O ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica defendeu, nesta quarta-feria (1º ), que os países da América do Sul se unam para quebrar patentes de vacinas e medicamentos importantes para a população da região. Ele falou sobre o assunto ao citar a pandemia de covid-19 como contexto. Na avaliação de Mujica, o vírus vitimou um percentual desproporcional da população no continente em relação a outros países.
“Somos 7% da população do mundo e tivemos 30% das vítimas da covid. Não houve nenhuma reunião de presidentes [da América do Sul] para quebrar as patentes. Nunca mais devemos cometer o erro de não ter coragem para nos juntar para nos defender… junto ao Brasil, Colômbia, Chile, direita e esquerda, defendendo a América do Sul. Ninguém vai nos dar direito à prosperidade se não soubermos lutar juntos no discurso que vivemos”, disse.
O ex-presidente tratou do tema ao participar de uma cerimônia no Palácio do Planalto. Ele foi convidado como integrante da Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), que se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sede do Poder Executivo.
Em seguida, Mujica disse que alguns presidente de outros países chegaram a indicar que poderiam apoiar a quebra de patentes das vacinas contra a covid-19, mas, posteriormente, teriam voltado atrás.
“Biden [presidente dos Estados Unidos] estava de acordo com [a quebra] das patentes, mas depois calou a boca. A China tinha conhecimento [científico], Rússia, Europa, EUA tinham conhecimento e calaram a boca para multiplicar a produção de vacinas. É uma lição que temos que aprender. Eles impõem as regras comerciais e financeiras do mundo e nós padecemos na história”, argumentou.
O líder uruguaio defendeu que colocar essa demanda de forma separada não ajuda a região do Mercosul. “[Precisamos de um] um acordo continendal do que devemos fazer. O Brasil é grande e forte, mas não tem força se não nos juntarmos todos. Neste mundo, ninguém vai nos dar a prosperidade de presente. Não se trata de ser de direita ou esquerda, se trata de não sermos burros”, acrescentou.
Por fim, o ex-presidente lembrou que essa união não serve apenas às classe mais baixas, mas também aos setores mais ricos da América do Sul. “A pequena burguesia também perde [com a desunião dos países], a grande burguesia latino-americana também perde. Somente nos juntando, podemos começar a mudar as regras do jogo”, concluiu.
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— Foto: Andre Penner/AP
Fonte: Valor Econômico