A recente disparada das ações da Moderna pode sinalizar uma mudança no destino dos recursos voltados à inteligência artificial, deixando investimentos em memória e centros de dados e migrando para aplicações da tecnologia de IA generativa na área da saúde.
Na quarta-feira (19), a Moderna, com sede em Cambridge, Massachusetts, disparou 177% e atingiu o maior nível em três anos após anunciar resultados positivos em testes de uma vacina para determinados tipos de câncer. Os testes mostraram um aumento do intervalo até a ocorrência de recaídas entre os pacientes e uma redução do risco de o câncer se espalhar para outras partes do corpo.
Especialistas do mercado afirmam que a disparada das ações da Moderna reforça a tese de que investidores em busca de oportunidades ligadas à IA podem direcionar seus recursos para a biotecnologia.
Don Vandenbord, diretor de investimentos da Revere Asset Management, afirma que a IA generativa dará um forte impulso a esse setor.
Vandenbord acredita que investidores em busca de oportunidades relacionadas à IA voltarão sua atenção — e seus investimentos — para a biotecnologia. “Se a pergunta é para onde o dinheiro vai fluir em seguida, a IA é uma aplicação perfeita para genômica, biotecnologia e pesquisa médica”, disse Vandenbord.
A IA generativa já remodelou uma ampla variedade de setores, do varejo à publicidade, com impactos maiores em alguns mais do que em outros. Avanços médicos e biológicos são apontados como uma área em que a IA generativa pode ainda exercer grande impacto, ao auxiliar na pesquisa e no desenvolvimento de novos tratamentos.
Mas, apesar de a atenção dos investidores esteja concentrada nas ações da Moderna, isso não garante o sucesso da empresa. Embora o movimento de quarta-feira tenha apresentado sinais típicos de acumulação nas ações, incluindo um salto no volume negociado e amplitudes maiores de preço, os papéis da farmacêutica foram negociados em uma faixa mais estreita na quinta-feira (20) e fecharam próximos da parte inferior dessa faixa, a US$ 130,31 por ação, abaixo das máximas.
Vandenbord continua otimista. “Nunca tivemos esse tipo de poder computacional disponível para resolver problemas, e essa é uma área em que já vimos notícias sobre o impacto da IA na pesquisa médica”, afirmou.
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Fonte: Valor Econômico