Por Agências Internacionais
15/08/2022 05h02 Atualizado há 4 horas
A Alemanha tem como meta reduzir seu uso de gás em 20% para evitar uma escassez drástica no próximo inverno europeu, disse Klaus Müller, diretor do órgão regulador de distribuição do país, ao jornal britânico “Financial Times”.
“Se não atingirmos nossa meta [de 20% de economia de gás], existe um sério risco de não termos gás suficiente”, afirmou. Müler disse que a Alemanha também precisaria de cerca de 10 gigawatts de fornecimento extra de gás de outras fontes para compensar os volumes que deixaram de chegar da Rússia – em grande parte gás natural liquefeito de países como os EUA. Isso representa cerca de 9% do seu consumo atual de gás.
Ele disse que a Alemanha também terá que depender das importações de gás de outros países europeus. Müller também alertou que o custo de longo prazo para acabar com a dependência alemã do gás russo pode ter graves consequências para as empresas alemãs. “Alguma produção pode se afastar da Alemanha porque o gás se tornou muito caro”, disse ele.
A Alemanha teme uma crise de combustível iminente desde que a gigante russa do gás Gazprom – que atua sob sanções desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro – reduziu o fornecimento através do gasoduto Nord Stream 1 em meados de junho, citando problemas técnicos. O principal canal de entrega de gás russo para a Europa está operando com apenas 20% da capacidade.
A Alemanha acusa a Rússia de “usar como arma” suas commodities de energia, como parte de uma reação contra as sanções impostas pelo Ocidente. No fim de semana, o Ministério da Economia da Alemanha ordenou que todas as empresas e autoridades locais reduzissem a temperatura ambiente mínima em seus espaços de trabalho para 19° C durante o inverno.
Berlim já atingiu a segunda fase de um plano nacional de emergência de gás em três partes. Se chegar à fase final, que implicaria o racionamento de gás aos clientes industriais, a agência reguladora chefiada por Müller terá de decidir quais as empresas que poderiam deixar de ser totalmente abastecidas do produto.
Fonte: Valor Econômico

