Após a surpresa dos investidores com o tom mais “hawkish” (propenso ao aperto monetário) por parte do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, e outros bancos centrais nesta semana e em meio à disparada dos preços do petróleo, os participantes do mercado começam a precificar chance de altas de juros nos Estados Unidos em 2026.
Segundo o CME FedWatch Tool, que compila dados a partir dos futuros dos Fed funds, embora o consenso entre os investidores ainda seja de nenhum corte de juros neste ano, com 67,8% de probabilidade, os operadores começaram a apostar em altas de juros, com 21,9% de chance de um aumento de 0,25 ponto percentual neste ano, ante apenas 5,2% ontem.
Uma pequena parte dos operadores ainda chega a cogitar um aperto monetário de 0,50 ponto percentual neste ano, representando 2,6% das apostas.
O presidente do Fed, Jerome Powell, disse em coletiva de imprensa nesta semana que a possibilidade de uma alta de juros chegou a ser discutida durante a reunião de política monetária, assim como ocorreu em janeiro, mas não faz parte do cenário-base de nenhum dos dirigentes no momento.
Para a próxima reunião do Fed, em abril, a probabilidade de manutenção das taxas no nível atual — entre 3,50% e 2,75% — diminuiu de 93,8% ontem para 89,7% nesta sexta-feira, enquanto a chance de uma alta de juros, na percepção dos operadores, subiu de 6,2% para 10,3%.
Esse reposicionamento dos investidores ocorre em meio à disparada dos preços do petróleo, por conta da guerra no Oriente Médio, e a persectiva de uma energia mais cara e maior incerteza no cenário econômico. O temor inflacionário se fortaleceu nos últimos dias, após bancos centrais de outras grandes economias, como o Banco Central Europeu (BCE), Banco do Japão (BoJ) e o Banco da Inglaterra (BoE), também demonstrarem preocupação com o choque do petróleo.
Os juros globais apresentam forte alta na manhã desta sexta-feira, diante da percepção de juros mais altos nas grandes economias. Por volta das 11h (de Brasília), os rendimentos dos Treasuries com vencimento em 2 anos disparavam para 3,934%, na máxima da sessão, ante 3,801% no fechamento anterior. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos saltavam para 4,356%, também no pico do dia, de 4,253% no fechamento anterior. Na ponta longa da curva, os rendimentos dos Treasuries de 30 anos eram negociados a 4,915%, de 4,840%.
Os participantes do mercado também começaram a precificar altas de juros na Europa, com bancos como o J.P. Morgan, Barclays, Morgan Stanley e Deutsche Bank revisando projeções para incorporar um aperto monetário em seu cenário-base, algo que favoreceu ainda mais o movimento de estresse nos mercados.
No horário citado acima, os rendimentos dos títulos da dívida pública da Alemanha, os Bunds, que servem de referência para a zona do euro, subiam de 3,801% para 3,924% no prazo de 2 anos e de 2,913% para 3,012% no prazo de 10 anos. No Reino Unido, os rendimentos dos Gilts de 2 anos saltavam de 4,398% para 4,594% e os dos Gilts de 10 anos de 4,784% para 4,934%.
“As altas estão chegando”, dizem os economistas do J.P. Morgan, que projetam duas altas de juros de 0,25 ponto percentual pelo BCE, em abril e julho. O Barclays incorpora o mesmo cenário-base. Por outro lado, o Morgan Stanley e o Deutsche Bank apostam em um aperto monetário mais tardio, estimando apertos nas taxas nas reuniões de junho e setembro.
Fonte: Valor Econômico
