Por Victor Rezende, Valor — São Paulo
18/01/2023 09h45 Atualizado há 2 minutos
Embora o Banco do Japão (BoJ) tenha surpreendido os mercados ao manter sua política de controle da curva de juros inalterada na reunião desta quarta-feira, a manutenção dessa ferramenta por um período prolongado “não é sustentável” e a autoridade monetária japonesa deve promover uma nova mudança ainda neste ano. É o que espera a economista Ayako Fujita, do J.P. Morgan, para quem a decisão do BoJ “indica sua forte intenção de sair do controle da curva de juros de maneira controlada, quando necessário”.
Em relatório enviado a clientes, Fujita observa que, embora o BoJ não tenha assumido oficialmente, ainda, a posição de que pode atingir a meta de inflação de 2% de forma sustentada, a confiança do banco central em atingir a meta parece aumentar. “E as expectativas de juros mais altos no mercado estão respaldadas por mudanças nos fundamentos, como a recuperação da demanda doméstica e o aumento da inflação. Além disso, à medida que o mandato do presidente do BoJ, Haruhiko Kuroda, se aproxima do fim, o ímpeto político para normalizar a flexibilização monetária excessiva está aumentando.”
Nesse sentido, o J.P. Morgan espera que o BoJ normalize gradualmente suas políticas frouxas, mas enfatiza que o caminho para essa normalização “não é direto”. “Sem sinais de superaquecimento na economia doméstica ou inflação, o BoJ provavelmente preferiria normalizar gradualmente a política, de maneira controlada. Esperamos que o BoJ se concentre em melhorar a funcionalidade do mercado por enquanto, mas esperamos que o banco alargue novamente a banda do controle da curva de juros em meados de 2023, provavelmente para +/- 1 ponto percentual”, afirma Fujita.
Para a economista, um limite de oscilação de 1 ponto deve estar próximo do nível de equilíbrio dos juros de dez anos. Assim, ao mudar essa política primeiro, a autoridade monetária japonesa poderá remover a política de juros negativos em meados de 2024 ou mais tarde. Embora esse seja o cenário básico, Fujita ressalta que a pressão do mercado pode levar o BoJ a abolir o controle da curva de juros antes.
Fonte: Valor Econômico
