Por Ryan Beene — Bloomberg
06/07/2022 05h02 Atualizado há 6 horas
Muitos nos círculos financeiros disseram que os esforços dos executivos americanos para encurtar as cadeias de fornecimento e trazer a produção de volta para casa durariam pouco. Assim que a pandemia começasse a desaparecer, diziam, a moda passaria. Dois anos depois, porém, essa tendência não está apenas viva, mas parece estar se acelerando rapidamente.
Abalados pela mais recente onda de restrições rigorosas contra a covid-19 na China, o centro manufatureiro preferido das multinacionais por muitos anos, os CEOs americanos tem feito planos para realocar a produção a um ritmo muito maior neste ano do que nos primeiros seis meses da pandemia, revela uma análise de teleconferências de balanço e apresentações transcritas pela Bloomberg.
Foi um salto de mais de 1.000% se comparado aos níveis anteriores à pandemia, baseado em referências a produção no país (onshoring), de volta ao país (reshoring) ou para mais perto (nearshoring). Mais importante que isso, há sinais concretos de que muitas empresas estão pondo esses planos em prática.
A construção de novas instalações de fabricação nos EUA aumentou 116% em 2021, segundo a Dodge Construction Network.
Existem enormes fábricas de microprocessadores em Phoenix: a Intel está construindo duas fora da cidade; a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co (TSMC) está construindo uma dentro da cidade. E há usinas de alumínio e aço sendo erguidas em todo o sul: Bay Minette, Alabama (Novelis); Osceola, Arkansas (US Steel); e Brandenburg, Kentucky (Nucor). Perto de Buffalo, no norte do Estado de Nova York, toda essa nova produção de semicondutores e aço está alimentando pedidos de compressores de ar que serão produzidos em uma fábrica da Ingersoll Rand que estava fechada há anos.
Dezenas de empresas menores fazem movimentos semelhantes, segundo Richard Branch, economista-chefe da Dodge. Nem todos são exemplos de reshoring. Algumas são projetadas para expandir a capacidade. Mas todas apontam para a mesma coisa – uma grande reavaliação das cadeias de suprimentos após gargalos nos portos, escassez de peças e custos de envio vertiginosos que causaram estragos nos orçamentos das empresas nos EUA e em todo o mundo.
No passado, diz Chris Snyder, analista industrial do banco UBS, era simples: “se precisarmos de uma nova instalação, ela será na China”. Agora, ele diz, “isso está sendo repensado de uma maneira que nunca foi feita antes”.
Em janeiro, uma pesquisa do UBS com altos executivos revelou a magnitude dessa mudança. Mais de 90% dos entrevistados disseram que estavam no processo de transferir a produção para fora da China ou tinham planos de fazê-lo. E cerca de 80% disseram que estavam pensando em trazer parte de volta para os EUA. O México também é uma opção popular.
Fonte: Valor Econômico
