Por Andrea Jubé e Matheus Schuch, Valor — Brasília
14/12/2022 13h44 Atualizado há 12 horas
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva convidou nesta quarta-feira o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, para assumir o futuro Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), que será recriado.
A expectativa é que o empresário seja confirmado na direção da pasta nos próximos dias para atuar em sintonia com o ex-ministro Aloizio Mercadante na presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que será vinculado à estrutura da nova pasta.
Alvo de uma crise na Fiesp, em que representantes de sindicatos da indústria se movimentam para destitui-lo do comando da instituição, a nomeação de Josué para o ministério que vai conduzir a nova política industrial seria uma saída honrosa para o empresário da zona de turbulência. Depois de ser sondado por emissários de Lula, ele foi formalmente convidado pelo presidente eleito em reunião na tarde desta quarta-feira em um hotel em Brasília.
Josué Gomes da Silva é filho do empresário José Alencar, morto em 2011, que foi vice-presidente de Lula de 2003 até 2010. São recorrentes as menções de Lula à relação de cumplicidade e lealdade que manteve com Alencar nos dois mandatos, um dos argumentos ao qual o petista recorreu para convencer Josué a fazer parte do futuro primeiro escalão.
O empresário de 59 anos é herdeiro do império têxtil fundado pelo pai, a Companhia de Tecidos Norte de Minas (Coteminas), grupo que lidera o segmento de cama, mesa e banho, e tem 15 fábricas no Brasil. Ele tem amplo trânsito em Brasília entre políticos e autoridades. Em 2014, disputou o Senado por Minas Gerais pelo MDB, sem sucesso.
Antes do encontro com Lula, ele compareceu à posse do ministro Bruno Dantas na presidência do Tribunal de Contas da União (TCU), onde recebeu cumprimentos. Na saída, conversou rapidamente com o senador Jaques Wagner (PT-BA), interlocutores de Lula para a formação do futuro governo e na articulação política.
Um dos principais projetos de Lula para o futuro governo, e que se tornou praticamente uma obsessão pessoal, é a retomada da indústria brasileira. Poucos dias antes do segundo turno, Lula divulgou uma “Carta à Nação”, em que expôs suas propostas para a reindustrialização do país: “Vamos iniciar a transição digital e trazer a indústria brasileira para o século XXI com uma política industrial que apoia a inovação, estimula a cooperação público-privada, fortalece a ciência e a tecnologia e garante acesso a financiamentos com custos adequados”.
No mesmo documento, Lula afirmou que “os segmentos das micro, pequenas e médias empresas, bem como das startups, receberão atenção especial”. O Mdic será responsável pela implantação e execução do programa “Empreende Brasil”, lançado na campanha presidencial, que pretende oferecer crédito facilitado para micro, pequenas e médias empresas.
Josué despertou insatisfação na Fiesp ao propor uma carta em defesa da democracia, em agosto, que não foi avalizada pela ala bolsonarista da instituição. Em paralelo, há insatisfação dos sindicatos ligados à Fiesp, que avaliam que o dirigente não faz política interna com o empenho que se esperava dele.
Fonte: Valor Econômico
