26 Apr 2023 MATHEUS PIOVESANA
O Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial (que desconsidera o ágio de aquisições) de R$ 2,140 bilhões no primeiro trimestre do ano, de acordo com balanço publicado ontem pelo banco. Em relação ao resultado no mesmo período de 2022, o balanço mostra uma queda de 46,6%.
No trimestre, o banco enfrentou novamente pressão sobre suas margens financeiras, diante da migração da carteira de crédito para linhas mais conservadoras – que geram retornos menores. A provisão para possíveis perdas com inadimplência também voltou a pesar, e o conglomerado teve de separar recursos adicionais.
“Não esperamos alterar o nosso apetite de risco até o ano que vem”, disse o CEO do Santander, Mario Leão, em teleconferência com analistas e investidores. A jornalistas, ele considerou que os números mostram que os parâmetros atuais estão corretos. “A performance do Santander Brasil no primeiro trimestre está absolutamente em linha com a expectativa da gestão, o que obviamente significa que entendemos o cenário macro que estamos vivendo e as decisões que tomamos.”
A redução de risco tem feito o banco trocar operações de maior rentabilidade por outras com margem menor. Não por acaso, na carteira de pessoas físicas o crédito que mais cresceu foi o ligado ao consignado, que tem uma das menores taxas no crédito pessoal.
Durante alguns trimestres, isso significou aperto de margens, mas no trimestre passado houve um crescimento de 5% na comparação com o anterior, o que, segundo o CEO, seria um sinal de que a estratégia começa a dar frutos. “Crescemos
a margem com clientes pela primeira vez. A queda anterior foi consciente para não trazer uma operação que gerasse PDD (provisões) agora”, disse Leão.
Em uma primeira leitura, analistas de mercado consideraram que os números foram negativos. “Em nossa visão, o resultado do primeiro trimestre mostra a continuidade da pressão sobre o Santander, embora disfarçada de alívio, já que o que se viu foi melhora diante do trimestre anterior em diversas linhas”, afirmou Rafael Reis, analista do BB Investimentos.
INADIMPLÊNCIA. A grande novidade foi o reforço extra das provisões contra a inadimplência, em R$ 4,2 bilhões. O Santander constituiu a reserva após reverter provisões de processos fiscais nessa mesma magnitude graças a voto favorável ao banco, por parte do relator, em ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e que determina a exclusão de determinadas receitas da base de incidência do PIS e da Cofins.
Segundo o CEO, a provisão extra foi decidida diante da oportunidade de reverter outra provisão, além de ser bem-vinda ao dar mais margem de manobra ao banco no futuro. “Neste momento, reforço em provisões nos pareceu a decisão correta”, afirmou Leão, que destacou que esses recursos poderiam ter sido alocados em outras linhas do balanço, entre elas a do lucro.
Contabilizado o reforço, o banco constituiu R$ 11 bilhões em provisões no trimestre. “Isto (a provisão extra) levou a cobertura a 244% (do total da carteira), o que ajudará a absorver o impacto de perdas por casos específicos no segmento corporativo nos próximos trimestres”, escreveu Pedro Leduc, analista do Itaú BBA. O Santander está entre os credores da Americanas, em recuperação judicial.
Na apresentação, Leão deu enfoque ao desempenho de negócios que tinham menor peso em anos recentes, ao menos na comparação com o atendimento ao público de varejo. O principal foi o atacado, em que a carteira ganhou espaço na composição do volume total.
O executivo afirmou que uma parte do crescimento veio da baixa atividade no mercado de capitais: sem saída, as empresas “substituíram” as captações por dívida bancária tradicional. O Santander supriu essa demanda e segue aberto a operações. “Não queremos entrar em setores que nos trarão problemas no futuro.” •
Fonte: O Estado de S. Paulo
