Oscilação da valorização do dólar ante o real contribuiu para a formação da rentabilidade na companhia, que trabalha com muitos insumos importados
Por Cristiana Euclydes, Valor — São Paulo
01/03/2023 19h35 Atualizado há 15 horas
A Blau Farmacêutica reportou lucro líquido de R$ 93 milhões no quarto trimestre de 2022, mais do que o dobro do lucro de R$ 44 milhões do mesmo período do ano anterior. A receita cresceu 4,8% em base anual, para R$ 367 milhões. A empresa prevê um ano positivo em 2023, com novas aquisições.
O Ebitda cresceu 31,2% no quarto trimestre em base anual, para R$ 120 milhões, com margem Ebitda de 32,6%, alta de 6,55 pontos percentuais ante o quarto trimestre de 2021.
A oscilação da valorização do dólar ante o real contribuiu para a formação da rentabilidade na companhia, que possui muitos insumos importados, segundo o diretor-presidente e fundador da Blau, Marcelo Hahn, em entrevista ao Valor. Além disso, o aumento dos juros gerou maior rentabilidade sobre o caixa da companhia, diz.
Em 2022 como um todo, o lucro totalizou R$ 360 milhões, alta de 11,3% ante 2021, enquanto a receita cresceu 3% na mesma base de comparação, para R$ 1,4 bilhão. O Ebitda recuou 0,6%, para R$ 474, com margem de 33,7%, baixa de 2,2 pontos percentuais.
Segundo Hahn, a empresa enfrentou um ambiente de incertezas e maior volatilidade em 2022, cenário competitivo forte e desafios macroeconômicos, e ainda assim conseguiu entregar um resultado consistente. “Conseguimos mostrar que estamos inseridos em um mercado resiliente.”
Hahn também afirma que os resultados do ano foram impactados de forma negativa pelo aumento da concorrência da imunoglobulina, um dos produtos líderes na formação da receita, refletindo uma liberação do governo para medicamentos sem registros, o que foi revertido no início do terceiro trimestre e caminha para a normalização.
Segundo a empresa, 62,6% do faturamento foram provenientes do segmento de biológicos, cuja receita cresceu 9,2% e somou R$ 230 milhões. “É o negócio principal da companhia, os maiores investimentos são feitos nessa área. Medicamentos biológicos são o futuro, o mercado está crescendo”, diz Hahn.
Já 23,6% da receita vieram do setor de especialidades, que reportou queda de 4% nas vendas, para R$ 87 milhões, com impacto da forte concorrência e deflação de preços de medicamentos da área hospitalar. A empresa diz estar otimista para a unidade em 2023, com uma nova planta, ritmo forte de lançamentos e processo de amadurecimento dos novos produtos.
Por fim, a unidade de produtos oncológicos respondeu por 4,9% da receita total, com redução de 5,9% nas vendas, para R$ 18 milhões, impactadas por cenário de forte pressão competitiva, mix vendido e com aumento de sólidos versus injetáveis, diz a empresa.
A Blau também reportou recorde de produtos lançados, com oito novos itens e expectativa de 10 novos em 2023. A empresa realizou 39 novos pedidos de aprovação em 2022, sendo 20 na Anvisa e 19 na América Latina, refletindo a ampliação de investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
Para 2023, a Blau possui um número enorme de projetos, diz Hahn, que inclui aumento da capacidade produtiva, expansão geográfica e novos produtos, alguns dos pilares estratégicos para crescimento, bem como a integração do Laboratório Bérgamo, adquirido em outubro do ano passado por US$ 28 milhões, na primeira aquisição desde a abertura de capital, em abril de 2021.
Segundo Hahn, a equipe de fusões e aquisições da empresa está ativa, com oportunidades sendo avaliadas, e novas operações devem ser anunciadas ainda este ano. “Com certeza, teremos novidades.”
A Blau comprou, no fim do ano passado, 25% de participação em um centro de coleta de plasma nos Estados Unidos e adquiriu a opção de compra os 75% restantes em três anos. A empresa já possui um centro em operação e outro prestes a entrar em funcionamento, com o quarto centro previsto para ser inaugurado ainda este ano e o quinto ter suas obras iniciadas. Hahn diz que a meta da companhia é ter dez centros.
Entre os desafios para este ano, Hahn destaca a retração do crédito, resultado do evento da Americanas, e com isso as empresas alavancadas vão sofrer mais. Olhando do lado da fonte pagadora, há impactos de baixos reajustes, com aumento significativo de sinistralidades, que devem continuar este ano, afirma.
O diretor-presidente diz que a Blau possui covenant para colocar mais ações no mercado, mas isso vai depender do apetite do investidor, e o mercado de ações está em um momento ruim. Ele afirma ainda que a empresa tem o padrão de seguir o mínimo e pagar 25% de dividendos, mas, em virtude do aumento do capital da companhia e do crescimento dos juros, os pagamentos de juros sobre capital próprio (JCP) têm sido superiores aos dividendos.
Fonte: Valor Econômico