Por Bloomberg
29/06/2023 14h09 Atualizado há 20 horas
A Libor, a taxa de juros que foi referência global por cerca de 50 anos antes de vir a simbolizar a má conduta de Wall Street, em breve não existirá mais.
A taxa será estabelecida pela última vez nesta sexta-feira por volta das 11h55 do horário de Londres (7h55 em São Paulo), desaparecendo sem muito alarde depois de balizar centenas de trilhões de dólares em ativos no mundo todo.
A taxa interbancária londrina não foi criada com o intuito de se tornar uma parte tão integral do sistema financeiro, mas acabou determinando o custo de empréstimos em todo o mundo, desde swaps de juros até empréstimos estudantis e financiamento imobiliário nos EUA. Mas após a crise financeira global, os reguladores descobriram que muitos dos maiores bancos do mundo estavam manipulando a Libor a seu favor.
Depois de cobrar bilhões de dólares em multas, as autoridades começaram a desmantelar o domínio da Libor.
Nos EUA, uma força tarefa de transição apoiada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) acabou selecionando a taxa SOFR como sucessora da Libor. Depois de algumas dores de crescimento iniciais, a taxa interbancária que tende a seguir de perto o limite inferior da meta do Fed suplantou a Libor na maioria dos mercados, com apenas um punhado de instrumentos remanescentes ainda vinculados à taxa londrina.
“Mudar algo tão fundamental quanto a Libor foi uma grande ruptura no status quo, e essas transições na história das finanças foram bastante poucas”, disse Gennadiy Goldberg, chefe de estratégia de taxas para EUA do TD Securities. “As pessoas estão ansiosas para seguir em frente com as novas taxas e convenções de mercado.”
A Libor era estabelecida a partir de uma sondagem diária junto aos bancos, que estimavam quanto eles cobrariam para emprestar uns aos outros no interbancário, em várias moedas. A maioria dos reguladores disse que a decisão de parar de usar a taxa foi baseada na falta de negociações subjacentes a essas estimativas.
A reputação da Libor ficou irreparavelmente manchada depois que grandes instituições financeiras foram acusadas de apresentar taxas falsas para aumentar seus lucros. Os bancos foram forçados a pagar mais de US$ 9 bilhões em multas.
Em 2014, as autoridades dos EUA estabeleceram o Comitê de Taxas de Referência Alternativas (ARRC), reunindo representantes do setor privado, reguladores e bolsas para identificar uma alternativa à Libor para transações em dólar. O resultado foi a SOFR, projetada para ser acessível e, ao mesmo tempo, menos vulnerável à manipulação.
Em março do ano passado, os legisladores americanos aprovaram uma lei para assegurar que trilhões de dólares em dívidas sem uma taxa de referência alternativa não caíssem no limbo após o fim da Libor, eliminando um dos últimos obstáculos para transição.
Mesmo assim, alguns observadores dizem que há um bolsão do sistema financeiro que pode sofrer alguma turbulência após a última fixação da Libor. Eles ficarão de olho no mercado de empréstimos alavancados de US$ 1,4 trilhão, uma fonte crucial de financiamento a taxas flutuantes para muitas empresas altamente endividadas.
Fonte: Valor Econômico
