Farmacêutica brasileira não tem mais uma sede, e permite que todos os funcionários do administrativo trabalhem remotamente em tempo integral
Por Jacilio Saraiva — Para o Valor, de São Paulo
07/04/2022 05h02 Atualizado há 3 horas
A Libbs Farmacêutica vai entregar o prédio-sede que mantém em São Paulo (SP), no bairro da Barra Funda, até o final do mês. A empresa nacional com três mil empregados adotou o home office para todos os funcionários administrativos – 15% do total – e fechou parcerias com espaços de coworking para quem precisar trabalhar fora de casa.

“Vamos ser 100% home office e oferecer coworkings”, diz diretora da farmacêutica Libbs
“Os nossos escritórios regionais de vendas também serão desativados e a alternativa dos coworkings será estendida para todo o Brasil”, revelou Madalena Ribeiro, diretora de RH da Libbs Farmacêutica, com exclusividade, durante live da série RH 4.0 do “Carreira em Destaque”, mediada pela editora de Carreira do Valor, Stela Campos. O expediente continua presencial apenas nas três fábricas do grupo no país. “Antes da pandemia, não tínhamos o home office como uma política da empresa”, diz Ribeiro, desde 1993 na companhia fundada há 60 anos. “Foi um aprendizado para todos.”
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Libbs entrega prédio, adota home office e coworking — Foto: Divulgação
Segundo a executiva, a decisão de adotar de vez o expediente a distância partiu dos funcionários. Uma pesquisa realizada com o quadro no final de 2021 indicou que 90% preferiam continuar no modelo remoto. As equipes estavam em regime de teletrabalho desde março de 2020.
Ribeiro explica que a utilização das unidades de coworking será ilimitada. “O funcionário poderá usar quando e como quiser”. A facilidade começou a ser ofertada desde o início do ano passado e, diz a diretora, ainda apresenta baixa adesão. As pessoas estão acostumadas com as suas casas, analisa. Há pontos cadastrados em várias regiões na capital paulista e a intenção é disponibilizar este ano acesso a coworkings em outras regiões do país onde a empresa possuía escritórios de representação.
Com a mudança, um dos interesses da Libbs, que produz mais de 50 milhões de unidades de medicamentos ao ano e aplica 10% do faturamento em pesquisa e inovação, é continuar valorizando os profissionais, mesmo a distância.
Há dois programas principais em curso: um de recrutamento interno, de jovens talentos – a empresa prioriza a “prata da casa” e não contrata analistas juniores no mercado – e uma ação de formação de lideranças.
A iniciativa Jovens Talentos da Libbs começou em 2017 e desenvolve profissionais em início de carreira para serem aproveitados na empresa ou no mercado de trabalho. O objetivo é capacitar candidatos para cargos de entrada, como assistentes ou analistas juniores. O programa tem duração de 16 meses e se divide em formação prática e teórica, para estudantes do ensino superior, entre 18 e 22 anos.
Com a pandemia todo o processo passou a ser feito a distância e foi reforçada a figura do “tutor” para cada jovem selecionado – um profissional da empresa acompanha o candidato na jornada de aprendizagem. O programa prevê que no final do treinamento, se não houver vagas imediatas para os graduados com bom desempenho, os nomes são incluídos em um banco de talentos – ao surgir uma nova posição, o RH procura os formados antes de ir ao mercado. Cento e nove pessoas passaram pela ação e mais da metade (55%) foi contratada em cargos como assistentes, analistas e compradores juniores.
No projeto de formação de líderes, iniciado em 2018, a meta é ter na área administrativa 100% dos cargos de chefia ocupados por funcionários da empresa. Atualmente, pelo menos 70% dos participantes da iniciativa são alçados a cargos de gestão e 30% ficam em uma lista de espera para novas oportunidades. No total, a companhia graduou 38 empregados, sendo 32 efetivados em posições de decisão. A ideia começou exclusivamente com equipes de campo e hoje abrange todos os segmentos da Libbs. Na força de vendas, todas as cadeiras de liderança foram garimpadas no quadro, afirma Ribeiro.
Ela diz que, mesmo com as iniciativas de valorização de talentos – estão previstas 500 promoções este ano -, a organização continua contratando “no mercado”, quando necessário. “A primeira coisa que os candidatos querem saber, no contato inicial sobre uma vaga, não é mais sobre salário, mas se o expediente será remoto.”
Fonte: Valor Econômico