Com as mudanças regulatórias que devem reduzir as emissões de títulos isentos como CRAs e CRIs e de letras de crédito bancárias, os bancos e gestoras criaram novos produtos para atender a alta demanda dos investidores por ativos que oferecem benefício fiscal.
O Itaú está buscando R$ 13 bilhões para dois fundos incentivados de infraestrutura que oferecem uma estrutura que mitiga o risco para o investidor para ser uma alternativa às LCAs e LCIs, enquanto a Legacy lançou, em parceria com a XP, um fundo similar de R$ 500 milhões.
No caso do Itaú, os fundos ISEN11, que busca captar R$ 6 bilhões, e o ISET11, de R$ 7 bilhões, investirão apenas nas cotas sêniores da carteira do Itaú Infra Itauba, com a Itaú Holding ficando com as cotas subordinadas, que representam 20% do portfólio e são as primeiras a absorver as perdas.
A gestora Legacy, também lançou um fundo, o XP Legacy Credit Horizon Sênior que está sendo distribuído na plataforma da XP, que tem uma estrutura parecida com a do Itaú, com uma parcela de cotas subordinadas de 10% do fundo, que ficará com a própria Legacy.
Para o gestor de crédito privado da gestora Legacy, Leonardo Ono, esses produtos são uma alternativa de investimento às Letras de Crédito Imobiliária (LCI) e do Agronegócio (LCA), oferecendo um investimento isento de baixa volatilidade e com mitigação de risco.
As LCIs e LCAs são títulos bancários isentos e que contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O volume de oferta desses papéis caiu após a medida do Conselho Monetário Nacional (CMN) de 2024, que restringiu o lastro para emissão desses títulos. Na semana passada, o CMN reduziu o prazo de carência dessas letras de nove para seis meses.
Para Ono, esse tipo de fundo de infraestrutura listado em bolsa deve ter uma demanda ainda maior com as novas regras para os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e do Agronegócio (CRA). Na última quinta-feira, o CMN determinou que os papéis não poderão ter como lastro créditos cujo devedor ou garantidor seja pessoa jurídica de capital fechado de fora do setor imobiliário ou do agronegócio. Isso afeta , por exemplo, a emissão de hospitais que captavam por meio desse instrumento para financiar instalações.
No caso do fundo de infraestrutura da Legacy, o retorno-alvo da cota sênior é de 97% do CDI, com prazo de resgate de 30 dias. Já o fundo ISEN11 do Itaú mira uma taxa de retorno de 96% do CDI com vencimento em março de 2029, enquanto o ISET11 busca entregar uma taxa de 95% do CDI com vencimento em setembro de 2028. Ambos os fundos do Itaú oferecem a opção de recompra de cotas no mercado secundário com retorno mínimo ao cotista de 93% do CDI.
Fonte: Pipeline
