Os juros futuros reverteram o movimento de queda que apresentavam pela manhã, quando uma nova intervenção do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos voltou a trazer alívio entre os participantes do mercado.
Pela tarde, no entanto, informações de que caminhoneiros estariam articulando uma paralisação pela alta dos combustíveis disparou um novo movimento de aversão a risco, o que levou as taxas futuras a fecharem em alta.
No fim do dia, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2027 subiu de 14,07%, do ajuste anterior, para 14,135%; a taxa DI para janeiro de 2028 saltou de 13,575% para 13,635%; a taxa DI para janeiro de 2029 passou de 13,56% para 13,605%, enquanto a taxa DI para janeiro de 2031 avançou de 13,745% para 13,755%.
Sem trégua evidente no cenário global, com os preços do petróleo ainda operando acima da faixa dos US$ 100 o barril, os juros futuros iniciaram a sessão desta terça-feira sob alívio com o anúncio de uma nova intervenção do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos.
Pela manhã, o Tesouro anunciou uma operação de recompra de até 20 milhões de títulos prefixados e adquiriu 63% do lote proposto. A exemplo do que ocorreu ontem, o edital para o leilão de recompra de NTN-Bs foi publicado durante a tarde e, dos 4 milhões de títulos que o Tesouro se dispôs a recomprar do mercado, 40,72% acabaram de volta na mão do governo.
Somadas os volumes financeiros das operações de recompra de hoje, o Tesouro adquiriu o equivalente a R$ 16,5 bilhões em títulos públicos. Se considerados também os valores da atuação de ontem, o montante em recompras chega aos R$ 43,99 bilhões, o que pode ser considerada a maior atuação em valor financeiro (nominal) da história.
Durante a tarde, no entanto, notícias relacionadas a uma possível paralisação de caminhoneiros, devido à alta no preço dos combustíveis, voltaram a inserir uma dose elevada de volatilidade no mercado de juros. As taxas, que recuavam cerca de 12 pontos-base em alguns vértices da curva, dispararam e chegaram a avançar 25 pontos-base em alguns contratos mais afetados.
A oscilação brusca, mais uma vez, revela a fragilidade técnica que o mercado atravessa nos últimos dias — um dos motivos para o Tesouro ter realizado sua intervenção.
“Então veio o azar. Às 16h, no horário local, surgiram nas agências notícias sobre uma possível greve nacional de caminhoneiros — um fantasma de 2016 que ninguém quer revisitar. Os algoritmos reagiram muito pior às manchetes do que os humanos, que, na verdade, não tiraram grandes conclusões, já que rumores de greve se tornaram relativamente frequentes e raramente se concretizam, sobretudo após negociações”, aponta o profissional da tesouraria de uma instituição local.
Ele nota que o fluxo “foi quase inteiramente algorítmico, enquanto os investidores de real money permaneceram à margem. No fechamento, a curva recuperou parte da abertura, mas o gráfico intradiário serve como um bom lembrete: a liquidez desaparece quando as máquinas sentem o cheiro de sangue”, conclui.
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Fonte: Valor Econômico
