Por Augusto Decker, Gabriel Roca, Igor Sodré e Matheus Prado — De São Paulo
15/09/2022 05h02 Atualizado há 4 horas
Os ativos locais registraram movimentos tímidos na sessão de ontem, ainda sob o efeito dos dados inflacionários dos Estados Unidos divulgados na terça-feira. As taxas longas avançaram, temendo a magnitude do ciclo de aperto monetário do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), enquanto o dólar recuou ante o real, em linha com a performance global da divisa. E o Ibovespa registrou queda após recuo em bloco de empresas ligadas às commodities metálicas.
No fim do dia, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 subiu de 11,66% para 11,71% na B3; e a do DI para janeiro de 2027 avançou de 11,595% para 11,68%. Já o dólar fechou o dia em queda de 0,19% ante o real, negociado a R$ 5,1777 no mercado à vista.
A surpresa com os dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos seguiu repercutindo no mercado local de juros. O movimento foi, novamente, mais acentuado nos prazos intermediários e longos da curva, mais sensíveis ao apetite dos investidores globais, que vinham ampliando posições aplicadas nas últimas semanas. Na ponta curta, o movimento não foi tão acentuado, diante da perspectiva de que a reprecificação dos juros nos EUA ainda não é suficiente para alterar as perspectivas de política monetária local no curto prazo.
“Apesar da alta das taxas no Brasil, as expectativas para a próxima reunião do Copom continuam majoritárias para a manutenção da Selic em 13,75%. Porém, os cortes para o primeiro semestre do ano que vem ficam menos prováveis. A piora do cenário externo reforça a postura mais cautelosa do Banco Central, até pela desancoragem das expectativas de inflação para 2024, foco do horizonte relevante da política monetária”, afirmam os analistas da Levante.
O Barclays reforçou sua recomendação “underweight” (com exposição abaixo da média de mercado) em crédito soberano do Brasil, devido ao “valuation” pouco atraente e os riscos crescentes.
“Apesar dos fundamentos robustos, o desempenho superior do Brasil no acumulado do ano em crédito emergente [EM] tornou os spreads soberanos pouco atraentes em relação aos EM. Além disso, os mercados permaneceram complacentes em relação ao risco político, mas acreditamos que a ansiedade dos investidores pode aumentar à medida que as eleições presidenciais se aproximam, dada a relevância do teto de gastos e as incertezas sobre a regra fiscal que virá em seu lugar, à luz das demandas de gastos”, diz o Barclays.
Na bolsa, o Ibovespa registrou queda de 0,22%, para os 110.546 pontos, após as empresas ligadas às commodities metálicas recuarem em bloco. A empresa americana Nucor afirmou, em prévia operacional, que as margens e a demanda para o terceiro trimestre deverão ser mais apertadas do que nos trimestres anteriores. Assim, Vale ON perdeu 1,83%, Usiminas PNA recuou 3,17%, Gerdau PN, 3,72%, e CSN ON caiu 3,91%.
No entanto, Alexandre Silverio, CEO da Tenax Capital, enxerga como possível uma mudança de tendência no mercado. “A sessão foi negativa, mas o mercado segue tentando entender o que virá da China. Temos sinais que os incentivos estão voltando, principalmente para o mercado imobiliário; e o Xi Jinping, maior líder do país, voltou a viajar internacionalmente, o que pode vir a se tornar um indicativo de flexibilização da política de covid zero”, afirma.
Fonte: Valor Econômico
