Por Rafael Rosas — Do Rio
20/12/2023 05h01 Atualizado há 6 horas
A taxa de juros ainda elevada e a recuperação lenta do mercado de trabalho contribuíram para que o consumo das famílias recuasse 0,5% em outubro, frente a setembro, segundo o Monitor do PIB, divulgado nesta terça-feira, 19, pelo Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre). Apesar das queda do consumo das famílias, o Monitor registrou avanço de 0,1% da economia como um todo frente a setembro, com crescimento de 2,4% na comparação com outubro de 2022 e de 2% no trimestre móvel encerrado em outubro. No acumulado em 12 meses até outubro, o indicador mostra alta de 2,9%.
O coordenador de Contas Nacionais do FGV Ibre, Claudio Considera, explica que as famílias estão consumindo principalmente bens não duráveis e serviços. “Toda a parte mais cara, que são os bens duráveis e os próprios semiduráveis, está perdendo”, afirma.
Do lado da demanda, além da queda do consumo das famílias, recuaram frente a setembro o consumo do governo (-0,5%), a formação bruta de capital fixo (FBCF, -0,2%), e as importações (-0,7%). O avanço ante o mês anterior, por essa ótica, foi garantido pelo crescimento de 2,3% das exportações.
“A economia está estagnada e parece que não tem dinamismo para voltar a crescer”, diz Considera. Ele atribui esse baixo ritmo principalmente à queda do investimento. “A exportação cresce, mas não é suficiente para mover o PIB. As importações caem principalmente por bens intermediários, que na sua maioria é para a própria indústria de transformação.”
Em outubro, do lado da oferta, o Monitor do PIB ainda mostrou avanço da indústria como um todo, com crescimento de 0,5% frente a setembro, puxado por altas de 2,5% na construção, 1,2% em eletricidade, 0,5% na indústria de transformação e de 0,3% na extrativa mineral. Já os serviços mostraram, segundo o monitor, alta de 0,2% em outubro.
O cenário muda no acumulado de janeiro a outubro. Apesar da alta de 1,8% da indústria como um todo, esse avanço é puxado por um crescimento de 6,3% da extrativa mineral e uma alta de 7,2% da eletricidade, enquanto a indústria da transformação cai 0,5% e a construção sobe apenas 0,1%. No acumulado do ano, do lado da demanda, a FBCF cai 1,8%.
“O maior desastre é o investimento, a formação bruta de capital fixo. Máquinas e equipamentos foram um desastre”, ressalta Considera, que lembra que apenas as máquinas agrícolas mostraram bom desempenho devido à safra recorde.
Uma recuperação de cenário para um ritmo de crescimento mais vigoroso da economia nos próximos meses só será possível, diz, com a continuidade das reformas propostas pelo governo.
“O principal elemento que precisa mudar é os empresários ganharem confiança de que o governo vai entregar as propostas de reforma que está buscando. A aprovação da reforma tributária é elemento importante que dá direção ao empresário sobre qual imposto ele vai pagar”, diz o economista. Ele defende que se mantenha a agenda de concessões de rodovias e outros ativos de infraestrutura.
Para 2024, Considera acredita que as eleições municipais podem ajudar a elevar o investimento por parte dos governos, contribuindo para dar algum dinamismo à economia. Mas ressalta que o fundamental é buscar aumento do investimento privado.
Fonte: Valor Econômico
