Por Eduardo Magossi, Valor — São Paulo
27/07/2023 14h17 Atualizado há 20 horas
Ao sinalizar uma abertura para ser mais paciente com os rumos da política monetária, a fim de avaliar o impacto total de aumentos de juros anteriores sobre as perspectivas de crescimento e inflação da zona do euro, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, passou uma mensagem bastante “dovish” (favorável ao afrouxamento monetário), avalia David Kohl, economista-chefe do banco suíço Julius Baer.
“Diante disso, mantemos nossa visão de que as taxas de juros do BCE atingiram o pico nos níveis atuais. Ao mesmo tempo, a probabilidade de uma flexibilização nos próximos 12 meses é bastante baixa. Não esperamos cortes de juros até o segundo semestre de 2024, no mínimo”, avalia o economista.
Para Kohl, o BCE reconheceu explicitamente o abrandamento das pressões inflacionárias externas, com os preços das importações e dos produtores a estagnar ou mesmo a cair numa base anual. “Além disso, Lagardemostrou que está monitorando muito de perto o risco de que salários mais altos, em resposta a uma inflação mais alta, possam aumentar ainda mais os preços dos serviços, criando uma dinâmica ascendente indesejável de preços e salários”, disse.
Segundo ele, Lagarde também anunciou o fim da política de pré-compromisso de maior aperto nas políticas e, em vez disso, enfatizou uma mudança para uma postura totalmente aberta em relação a novos aumentos de juros.
“Outra alta nos juros na próxima reunião do BCE está, agora, longe de ser certa. Taxas de inflação elevadas e progresso lento em direção ao objetivo de estabilidade de preços de 2% continuam a ser a principal razão para esperar novos aumentos de juros, enquanto a desaceleração do crescimento e a estagnação do crescimento do crédito sugerem que a atual orientação da política monetária já é restritiva o suficiente para trazer a inflação de volta à meta ao longo do tempo”, explica Kohl. Diante dessa encruzilhada, Kohl acredita que a segunda opção deve prevalecer.
Fonte: Valor Econômico
