O bloqueio do Estreito de Ormuz deve provocar um impacto sequencial no fornecimento global de petróleo ao longo de abril, com efeitos que se espalham de leste a oeste, segundo relatório do banco J.P. Morgan.
De acordo com os analistas, o sistema energético mundial está deixando de enfrentar apenas um “choque de fluxo” e passa a lidar com um “problema de esgotamento de estoques”, à medida que o bloqueio se prolonga.
O último petroleiro deixou a região em 28 de fevereiro, início dos ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Ásia deve ser a primeira região afetada
O relatório aponta que o principal fator da crise não é apenas a perda de volume de petróleo, mas o tempo de navegação, que determina o ritmo dos impactos ao redor do mundo.
Nesse cenário, a Ásia aparece como a região mais vulnerável. A estimativa é de que a demanda no sudeste asiático caia 300 mil barris por dia em abril, podendo chegar a 3 milhões de barris diários em junho, caso reservas estratégicas não sejam liberadas.
O impacto deve atingir a Europa em meados de abril. Segundo o banco, o efeito tende a se manifestar mais por aumento de custos e maior competição com mercados asiáticos do que por escassez física imediata.
EUA não devem ter falta de petróleo, mas preços sobem
Para os Estados Unidos, o J.P. Morgan não projeta interrupções diretas no abastecimento no curto prazo.
No entanto, o país deve sentir os efeitos por meio da elevação dos preços dos combustíveis refinados.
O petróleo WTI encerrou a segunda-feira cotado a US$ 102,88 por barril, superando a marca de US$ 100 pela primeira vez desde 2022.
No campo político, investidores monitoram a trégua temporária anunciada pelo presidente Donald Trump, que suspendeu até 6 de abril ataques a infraestruturas energéticas do Irã.
Apesar de afirmar que negociações estão em curso e que uma solução pode ocorrer em breve, Trump voltou a ameaçar destruir instalações petrolíferas e elétricas iranianas caso o estreito não seja reaberto imediatamente.
Segundo o próprio presidente, o Irã teria permitido a passagem de 20 petroleiros como gesto de “respeito” aos Estados Unidos.
*Com EFE
Fonte: Exame
