A Johnson & Johnson está usando inteligência artificial para reduzir pela metade o tempo necessário para gerar novos candidatos para o desenvolvimento de medicamentos, disse o diretor de tecnologia da informação da companhia, nesta segunda-feira (27). Descobrir novos produtos do zero e levá-los ao mercado usando IA ainda não é possível, mas a J&J está utilizando a nova tecnologia para examinar o “universo potencial” em busca de compostos químicos ou biológicos promissores, afirmou Jim Swanson, em um evento da Reuters em Nova York.
“Isso ainda está um pouco distante, mas podemos otimizar”, disse Swanson. “Reduzimos pela metade o tempo de otimização de candidatos.”
A empresa farmacêutica e de dispositivos médicos sediada em Nova Jersey tem trabalhado para adotar uma abordagem mais focada em IA, concentrando-se em processos centrais como produtos habilitados por IA, desenvolvimento de medicamentos e otimização da cadeia de suprimentos.
“Estamos tentando curar o câncer”, disse Swanson. “Precisamos de todas as ferramentas que pudermos usar para conseguir isso.”
Por meio do uso de IA, Swanson disse que a empresa já acelerou o processo de desenvolvimento de dois compostos — um em oncologia e outro em imunologia. A companhia trabalha no desenvolvimento de novos medicamentos enquanto enfrenta o vencimento de patentes do Stelara, um de seus remédios mais vendidos, utilizado no tratamento de psoríase e outras condições autoimunes.
No negócio de dispositivos médicos da J&J, a empresa está usando IA em produtos para auxiliar cirurgiões na sala de operação, disse Swanson. A IA reduziu o tempo necessário para mapear o coração em procedimentos de correção de arritmias e melhorou a precisão em substituições de joelho e quadril, afirmou.
A IA também tem sido útil na manufatura, ajudando a determinar quando adicionar solvente no momento e na temperatura adequados, disse Swanson.
A J&J também está usando IA para simplificar a preparação de documentos para reguladores. O processo tradicional para elaborar um relatório de ensaio clínico pode levar de 700 a 900 horas, disse o diretor. Esse tempo caiu de “700 horas para cerca de 15 minutos”, afirmou Swanson.
Outras empresas disseram que a IA está ajudando a encontrar participantes e locais para ensaios clínicos e a redigir documentos para reguladores, reduzindo em semanas processos intensivos em mão de obra. Pode levar uma década e custar bilhões para levar um novo medicamento ao mercado.
“Tratamos pacientes em todo o mundo, e queremos garantir que, em nossos estudos clínicos, eles representem as populações de pacientes que atendemos”, disse Swanson. “A IA está sendo usada para garantir que possamos acelerar a inclusão de populações diversas de pacientes.”
Swanson afirmou que, em vez de substituir pessoas, ele vê o uso de IA como uma habilidade adicional para os funcionários da empresa. A J&J atualmente conta com cerca de 4 mil profissionais de tecnologia da informação, de um total de 140 mil empregados.
“Um engenheiro de software não está sendo substituído. Agora seu papel está se expandindo”, disse. “Nosso foco continua sendo em habilidades. São habilidades ‘e’, não habilidades ‘ou’.”
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Fonte: Valor Econômico