A redução da dependência da energia nuclear pelo Japão deixou de estar nos planos do país, refletindo um foco renovado na energia nuclear como uma ferramenta para alcançar a descarbonização.
Um rascunho do novo Plano Estratégico de Energia será apresentado a um painel de especialistas já na próxima semana. O plano será compilado este mês e substituirá a versão de 2021.
A linguagem sobre a redução da dependência da energia nuclear foi adicionada pela primeira vez ao plano de energia após o colapso da usina nuclear de Fukushima Daiichi, após um tsunami, em 2011.
Mas, em 2023, o governo mais uma vez adotou a energia nuclear sob uma política de transformação verde, passando a ver a energia renovável e nuclear contribuindo diretamente para o crescimento econômico.
Espera-se que o plano atualizado tenha como meta uma mistura energética equilibrada que não dependa excessivamente de fontes específicas. Com o aumento da demanda por eletricidade, o governo está procurando explorar fontes de energia nuclear e outras para garantir um fornecimento de energia estável.
Também haverá esforços acelerados para trazer os reatores nucleares japoneses de volta à ativa, com a segurança como prioridade máxima. Espera-se que isso permita que as concessionárias substituam reatores nucleares desativados não apenas no mesmo local, mas em diferentes usinas de energia.
O governo está simplificando as regulamentações e facilitando o financiamento para incentivar o investimento
O Ministério da Economia, Comércio e Indústria (Meti) pretende que a energia renovável componha de 40% a 50% da matriz elétrica do Japão. A energia nuclear ficaria em torno de 20% no ano fiscal de 2040. Não há planos de se fornecer uma fatia específica para combustíveis fósseis, como carvão ou gás natural.
O Meti está buscando definir uma meta de alcance mais amplo em resposta à incerteza sobre o futuro, incluindo a rapidez com que novas tecnologias serão adotadas para reduzir as emissões da queima de combustíveis fósseis.
Além do Plano Estratégico de Energia, o Japão também redefinirá as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa já neste mês. À luz da meta do governo de emissões líquidas zero até 2050, os ministérios do Meio Ambiente e da Economia propuseram um corte de 60% até o ano fiscal de 2035 em relação aos níveis do ano fiscal de 2013, e um corte de 73% até o ano fiscal de 2040.
O debate sobre a matriz de eletricidade afeta apenas as emissões no setor de energia, e não as emissões de empresas ou famílias, que compõem uma parcela maior do total. Ainda assim, metas mais ambiciosas podem encorajar o setor privado a fazer maiores investimentos em áreas relacionadas.
Fonte: Valor Econômico

