André Jakurski, sócio-fundador da JGP e gestor de investimentos com mais de 50 anos de mercado, aconselhou os brasileiros a imitar o que os investidores estrangeiros estão fazendo e a investir nas ações da bolsa do Brasil, em um evento realizado pelo banco BTG Pactual nesta terça-feira (30).
“No Brasil, a regra número 1 é fazer o que o gringo está fazendo. Se está entrando dinheiro na bolsa, compra”, afirmou. “Os mercados financeiros não pensam em mais de uma variável ao mesmo tempo. Agora, o dinheiro está entrando. Do ponto de vista do investidor brasileiro, a bolsa está extremamente cara. Do ponto de vista do estrangeiro, que tem um custo de oportunidade totalmente diferente, a bolsa pode não estar cara”, disse.
Conforme Jakurski, o Brasil é percebido pelos estrangeiros como um país de empresas de commodities como Vale, Petrobras e outras companhias ligadas ao petróleo. De acordo com o gestor, quando diminuir o ritmo “frenético” de entrada do dinheiro dos estrangeiros no país, a bolsa também vai reduzir o seu impulso de alta.
“E depois, quando chegar mais perto da eleição, aí é que o mercado vai se preocupar com isso”, afirmou. Segundo Jakurski, caso Lula seja reeleito para um quarto mandato, como ele já é um rosto conhecido, não deve ocorrer o que houve no primeiro mandato, em 2002, quando o dinheiro dos estrangeiros foi embora e o dólar disparou.
Luis Stuhlberger, CEO e chefe de investimentos da Verde, uma das gestoras de fundos mais tradicionais da indústria de multimercados no país, acrescentou que acha que as chances de Lula vencer a eleição é de 50%. Na análise dele, se o presidente ganhar a eleição, no dia seguinte o mercado não deve reagir tão mal.
“O mercado sempre vai dar o benefício da dúvida, acho que algum anúncio positivo vai ser feito ou o governo vai colocar alguém no Ministério da Fazenda”, afirmou. “O problema, talvez, não aconteça de imediato, vai acontecer depois.”
Fonte: Valor Investe
