“Se 2026 terminasse hoje, seria o terceiro melhor ano em termos de fluxos desde o início da série, em 2001. Janeiro costuma ser um mês forte para fluxos, mas nada comparado ao que foi observado então e ao que continua entrando agora”, afirmam Emy Shayo Cherman e Cinthya Mizuguchi, do J.P. Morgan.
Segundo elas, as alocações globais em mercados emergentes estão em níveis bastante deprimidos, próximos de 5,6%, distantes de uma posição neutra que estaria em cerca de 11%. “Se essa posição retornasse à média de 6,5% dos últimos dez anos, isso traria US$ 350 bilhões para o universo emergente, US$ 27 bilhões para a América Latina e US$ 17 bilhões para o Brasil”, notam. “Sob nossa hipótese de retorno à média, o Brasil ainda receberia mais US$ 11 bilhões, sendo que um terço já se materializou. Pelo andamento das coisas, isso pode ser modesto”, afirmam.
As estrategistas também notam que os fundos de mercados emergentes estão recebendo “um volume enorme de fluxos”.
“Com US$ 65 bilhões até a semana passada, já é maior do que os US$ 29 bilhões registrados em 2025. O Brasil já é o maior mercado em ‘overweight’ líquido (OW) dentro de EM, com uma alocação mediana de 2,1% acima do benchmark. O pico pós-crise financeira global (GFC) é de 2% acima, e o pico pré-GFC é de 3% acima”, notam.
O J.P. Morgan, por outro lado, nota que as eleições devem começar a afetar o mercado nos próximos meses, o que pode levar a uma redução nos fluxos.
“O mercado tende a antecipar o ciclo de afrouxamento em termos de desempenho e também não vai bem nos seis meses que antecedem as eleições (abril a outubro). Nossa visão é que a eleição é um evento de risco e que os mercados começarão a levá-la em consideração, o que pode levar os fluxos a diminuírem à medida que o desempenho seja impactado, a menos que o ambiente global permaneça como está. Assim, nossa avaliação é que o mercado local deve atingir o pico por volta do início do 2º trimestre”, concluem.
Fonte: Valor Econômico
