Os efeitos do aperto das condições financeiras globais e o desafio gerado pela alteração da meta de resultado primário de 2025 devem, provavelmente, alterar a avaliação do Banco Central sobre o balanço de riscos sobre a inflação e, diante de um aumento das incertezas globais e domésticas, o J.P. Morgan elevou sua projeção para a Selic de 9,5% para 10%. O banco, agora, espera que a autoridade monetária efetue mais três reduções de 0,25 ponto percentual no juro básico e que encerre o atual ciclo de flexibilização da política monetária em julho.
“Muitos membros do Copom parecem ter reconhecido essa possibilidade [de piora do balanço de riscos], abrindo a porta para quebrar o ‘forward guidance’ da última reunião de um corte de 0,5 ponto no próximo encontro. Nesse contexto, pensamos que agora o Copom irá cortar a Selic em 0,25 ponto na reunião de maio, que se realizará dentro de duas semanas”, dizem os economistas Cassiana Fernandez e Vinicius Moreira em nota enviada a clientes.
A taxa de câmbio e as expectativas de inflação são os principais canais destacados por eles para os acontecimentos recentes. “Sob as premissas mais viáveis para essas duas variáveis, usando nossas estimativas dos modelos do BC, julgamos que o BC pode mirar uma taxa ‘terminal’ de 10% neste ano, mais do que o consenso e nossa previsão inicial (9,5%), mas menos do que o precificado atualmente pelo mercado (entre 10,25% e 10,5%). O ritmo para chegar lá depende, criticamente, do balanço de riscos”, afirmam Fernandez e Moreira.
Eles observam, ainda, que a extensão e o ritmo do ciclo irão depender de outras variáveis, como a inflação corrente, que deve permanecer contida nos próximos meses, mas ressaltam que há riscos altistas à frente, com um crescimento econômico mais robusto. “Contudo, os tópicos da dinâmica fiscal e externa deverão ser particularmente importantes na determinação da taxa de juros no fim do ciclo”, dizem os profissionais do J.P. Morgan. A assimetria, para eles, mantém os riscos inclinados para uma Selic ainda mais alta neste ano.
fonte: valor econômico
