O aumento nos preços dos combustíveis, na esteira da disparada do petróleo no mercado internacional, levou o Itaú Unibanco a projetar uma inflação mais pressionada no curto prazo, no topo da banda da meta. E, diante da piora no cenário inflacionário, o banco também passou a ver um espaço menor para o processo de flexibilização da política monetária e, assim, elevou sua projeção para a taxa Selic no fim deste ano de 12,25% para 13%.
A equipe de economistas do Itaú, liderada pelo ex-diretor do Banco Central Mario Mesquita, lembra que a autarquia deu início a um ciclo de calibração da política monetária neste mês. “Ao nosso entender, isso indica que a autoridade monetária deseja reduzir o nível de restrição, mas ainda terminar o ciclo em terreno contracionista, dado o hiato do produto positivo e as expectativas desancoradas”, dizem os profissionais do banco.
Em seu cenário base, o Itaú acredita que uma resolução do conflito deve se dar somente no fim de abril e alguma normalização do Estreito de Ormuz só deve ocorrer em maio. É nesse sentido que o banco acredita que a incerteza permanecerá elevada até a reunião do Copom de abril, o que deve levar a um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima decisão do colegiado. “A sinalização recente, no entanto, não estabelece uma barra alta para um corte de magnitude maior (de 0,5 ponto) em abril, caso a normalização da distribuição de petróleo ocorra mais rapidamente.”
Além de ter elevado a projeção para a Selic no fim deste ano, o Itaú também alterou suas estimativas para 2027, ao elevar a previsão para o juro básico de 11,25% para 12%.
Em relação à inflação, os economistas do banco alteraram as estimativas para o IPCA deste ano de 3,8% para 4,5%, ao mesmo tempo em que elevaram a projeção para a inflação de 2027 de 3,9% para 4,1%.
A mudança na estimativa de curto prazo reflete, principalmente, o aumento dos preços dos combustíveis. “Incorporamos as altas recentes de gasolina e diesel na bomba. Além disso, consideramos ajustes de preços de combustíveis no médio prazo, refletindo um patamar de equilíbrio do petróleo estruturalmente mais elevado no pós-guerra (US$ 75/barril no fim do ano, ante US$ 65 anteriormente), com impacto em gasolina, em alimentos e industriais (via aumento dos custos de frete por alta do diesel) e em passagem aérea (via aumento de querosene de aviação)”, dizem.
De acordo com o Itaú, diante cotações internacionais em níveis superiores ao novo equilíbrio, “a pressão tende a ser por reajustes adicionais, dada a defasagem entre os preços domésticos e externos”. Para o banco, contudo, deve haver medidas de mitigação, como novos cortes de impostos ou subsídios, o que pode limitar o impacto imediato sobre a inflação. Os economistas, contudo, notam que, agora, o balanço de riscos para a projeção de inflação se tornou altista, após vários meses de assimetria de baixa.
Fonte: Valor Econômico
