Por valor — São Paulo
03/07/2023 11h41 Atualizado há 13 horas
Ao menos oito palestinos morreram e 50 ficaram feridos nesta segunda-feira (3), no campo de refugiados de Jenin, naquela que já é considerada a maior incursão de Israel contra o território da Cisjordânia ocupada em quase duas décadas.
Os militares israelenses afirmaram ter lançado a ação — com o uso de drones e helicópteros — para conter “terroristas armados” no centro urbano de Jenin e em um campo de refugiados próximo. O Ministério da Saúde da Autoridade Palestina — que contesta a versão israelense de reação antiterrorismo — disse que o número de mortos deve aumentar.
Ofensivas de Israel a cidades palestinas se intensificaram no ano passado, com o aumento da tensão na Cisjordânia, como retaliação a ataques árabes a colonos judaicos.
A ação ordenada pelo premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, cujo governo é o mais à direita na história de Israel, ocorre após pressão de setores radicais da base aliada e não tem data para acabar. O episódio agrava a delicada situação de segurança na região e desperta preocupação internacional.
Operações nesta escala foram registradas poucas vezes desde a Segunda Intifada, na primeira metade da década de 2000, marcada pelo levante palestino contra autoridades de Israel e por episódios de violência que provocaram mortes dos dois lados. Na manhã desta segunda, pelo menos seis drones sobrevoaram a região, que abriga 17 mil pessoas em uma área de menos de meio quilômetro quadrado.
Os militares israelenses disseram que a operação começou pouco depois da 1h no horário local (19h de domingo em Brasília) com ataques aéreos de drones contra supostas “infraestruturas terroristas” em Jenin. Em seguida, centenas de soldados avançaram por terra com veículos blindados.
Segundo o governo israelense, as tropas do país atacaram um prédio que servia como centro de comando para as Brigadas de Jenin, organização formada por combatentes e grupos militantes, sob a alegação de interromper atividades de grupos extremistas no campo de refugiados. Retroescavadeiras blindadas foram usadas para abrir caminhos bloqueados, e tiroteios intensos foram ouvidos por horas.
Fonte: Valor Econômico

