PorCarin Petti
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Atrás da mesa de trabalho de Isabella Wanderley, general manager da Novo Nordisk no Brasil, há uma estante com fotos, livros e uma placa. “É simples: você não vai saber se não tentar”, diz o letreiro. A executiva tentou. E deu certo. Economista com décadas de estrada na área de marketing de gigantes como L’Oréal e Grupo Boticário, ela arriscou a guinada rumo à indústria farmacêutica. Em 2021, assumiu o comando da operação brasileira da companhia dinamarquesa que, no ano passado, tornou-se a empresa com maior valor de mercado da Europa, ultrapassando a casa de US$ 430 bilhões e desbancando o conglomerado de luxo LVMH, dono da Louis Vuitton.
Sob seu comando, o faturamento da companhia no Brasil saltou de R$ 2,4 bilhões em 2021 para R$ 4,5 bilhões em 2023. A cifra exclui os negócios, de valor não divulgado, com o Sistema Único de Saúde (SUS), que compra grande parte da insulina produzida na fábrica de Montes Claros, em Minas Gerais, e também um medicamento para hemofilia. Como no restante do mundo, a receita foi impulsionada pela explosão na procura pelo Ozempic, medicamento para diabetes que vem sendo usado para perda de peso. O Wegovy, com o mesmo princípio ativo e oficialmente indicado para obesidade, chegará ao Brasil no segundo semestre.
Para conquistar o cargo, depois de ter deixado a vice-presidência de novos canais do Grupo Boticário, contou com a ajuda da irmã endocrinologista. “Ela me explicou como funcionam as diferentes insulinas para que eu me preparasse para o processo seletivo. Já no novo posto, seu currículo atípico trouxe vantagens. “Acho que pude contribuir com minha experiência na área de consumo, com um olhar mais focado no cliente”, diz. Com ela, a companhia lançou, por exemplo, o portal da empresa dirigido a médicos, com cursos, vídeos, artigos científicos e dados de pesquisa.
Entre os desafios no comando da farmacêutica dinamarquesa, ela enfrenta a falsificação de remédios da multinacional. Para combater o problema, a companhia monitora, por intermédio de uma empresa parceira do departamento jurídico, o noticiário de saúde e sites que vendem produtos falsos. “É uma questão séria, porque fake news em saúde pode matar”, afirma. A saída é reagir: “Tomamos diferentes caminhos legais para combater a falsificação e lidar com casos que esbarram no registro de marcas ou patentes”.
Outra de suas missões é estimular a ascensão das mulheres, em alguns casos por meio de processos seletivos exclusivos para elas. Atualmente mulheres ocupam 58% das posições de liderança e 64% da alta liderança da companhia no Brasil.
“Acho que todas as executivas já sentiram um teto de vidro difícil de quebrar”, afirma. “Mulheres são cobradas para serem profissionais perfeitas, mães perfeitas e ainda terem a lista de compras pronta, unha feita e a raiz do cabelo arrumada.” Nesse malabarismo entre casa e trabalho, um ou outro prato acaba escapando das mãos. “Sempre digo para as mulheres que alguma coisa sempre vai cair, e está tudo certo.”
Mas nem sempre pensou assim. “Eu mesma já me questionei se estava preparada para assumir certas posições”, conta. “Mas o importante é ter as competências para a jornada de aprendizado, porque ninguém chega 100% preparado. Se chegasse, não haveria o desafio gostoso de crescer no cargo.”
Isabella Wanderley: General manager da Novo Nordisk
Empresas onde trabalhou: Grupo Boticário, The Body Shop/ L’Oréal, Brahma e Gillette
Formação: economia (PUC-RJ), com MBA em marketing pelo Instituto Tecnológico Autónomo do México (Itam)
Matéria predileta na escola: história
Me tornei CEO com: 54 anos
No fim de semana gosto de: andar de bicicleta e descansar olhando o verde ao redor da minha casa
Café da manhã, almoço ou happy hour: café da manhã
Desligo o celular quando: quase nunca. A família está espalhada e esse é o meio de estarmos mais próximos
O que salva um dia: saber que avançamos para que mais um paciente tenha uma vida de qualidade
O que acaba com um dia: burocracia e injustiça
Os preferidos
Time: Flamengo… tem outro?
Drinque ou sobremesa: chocolate
Livro: mais recentes, diria que “Mindset”, de Carol Dweck; e a “A Imperatriz de Ferro”, de Jung Chang
Série: “Downton Abbey”
Hobby: viajar e conhecer novas culturas
Fonte: Valor Econômico