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Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar bombardear o setor energético do Irã — e recuar nesta segunda-feira, adiando os ataques em razão de conversar “muito boas” com Teerã —, o Conselho de Defesa da República Islâmica afirmou que “qualquer tentativa do inimigo de atingir” o território iraniano “levará a implantação de diversos tipos de minas navais em todas as rotas de acesso ao Golfo Pérsico”. Essas armas simples e de baixo custo são uma das ferramentas mais perigosas do regime, que pode implantá-las ao longo do Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o escoamento de cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, praticamente bloqueada pela Guarda Revolucionária desde o início da guerra.
No início do mês, o Institute for the Study of War (Instituto para Estudo da Guerra) estimou que cerca de 10 minas teriam sido lançadas na região. Na ocasião, o vice-chanceler iraniano, Mayid Tajt Ravanchi, negou que o país já tenha lançado minas no Estreito.
Trump também afirmou, no último dia 10, que as forças americanas destruíram 10 navios iranianos lançadores de minas no Estreito de Ormuz. “Atingimos e destruímos completamente 10 barcos e/ou navios inativos de lançamento de minas, e mais virão a seguir”, escreveu o presidente em sua plataforma Truth Social.
No último sábado, o republicano, pressionado pela alta nos preços do petróleo, ameaçou destruir as centrais de energia do Irã se o Estreito não for reaberto “em 48 horas”. Porém, nesta segunda, horas antes do prazo acabar, o presidente americano afirmou que os Estados Unidos e o Irã mantiveram “conversas produtivas” durante o fim de semana e que suspenderá os ataques militares contra instalações de energia iranianas por cinco dias.
Especialistas em segurança marítima afirmam que, mesmo em pequena quantidade, essas armas têm potencial para provocar impactos desproporcionais na economia global ao interromper uma das rotas mais estratégicas do comércio internacional.
— É uma ferramenta clássica de guerra assimétrica — afirmou Jahangir E. Arasli, pesquisador do Institute for Development and Diplomacy, no Azerbaijão, especializado em ameaças marítimas ao Wall Street Journal.
Segundo ele, mesmo sem a mesma capacidade naval das potências ocidentais, o Irã mantém meios de causar perturbações significativas no tráfego marítimo.
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O arsenal iraniano inclui minas navais projetadas para flutuar na água ou permanecer ancoradas no fundo raso do Golfo Pérsico. Um modelo descrito por autoridades militares americanas, a Maham-1, é um dispositivo circular desenvolvido nos anos 1980, equipado com sensores de contato capazes de detonar até 120 quilos de explosivos quando atingidos por uma embarcação.
Essas minas podem ser presas por correntes ao fundo do mar ou posicionadas em águas rasas, a partir de um metro de profundidade, o que dificulta sua detecção e remoção.
Segundo um relatório do U.S. Naval Institute, minas navais estão entre as armas que mais danificaram embarcações militares americanas desde a Segunda Guerra Mundial.
Embora possua embarcações e submarinos capazes de lançar minas, o Irã recorre frequentemente a métodos mais difíceis de rastrear. Uma das estratégias empregadas envolve mergulhadores que operam a partir de pequenos barcos semelhantes a embarcações de pesca, o que dificulta identificar operações militares no intenso tráfego marítimo da região.
O país também mantém um estoque de minas magnéticas, conhecidas como limpet mines, que podem ser fixadas diretamente no casco de navios por mergulhadores. Para Arasli, o objetivo principal dessas armas não é necessariamente afundar navios, mas interromper o fluxo de comércio e provocar efeitos na economia global.
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Pressão por escoltas
Dias depois de assumir como novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá bloqueado enquanto durarem as hostilidades contra o país.
O pronunciamento reforçou a preocupação com a segurança da rota marítima. A possibilidade de minas na região já levou diversas embarcações a evitar a travessia do estreito, enquanto outras permanecem ancoradas aguardando condições mais seguras de passagem.
Diante do risco crescente, aumenta também a pressão para que os EUA organizem missões de escolta naval para proteger navios comerciais, algo descartado até o momento. Caso escoltas sejam estabelecidas, navios especializados em contramedidas contra minas deverão liderar os comboios, utilizando sonar e outros equipamentos para localizar e neutralizar os dispositivos.
Nos últimos anos, a Marinha americana também investiu em sistemas robóticos capazes de detectar minas. Um dos projetos envolve o Mine Countermeasures Unmanned Surface Vehicle, uma embarcação não tripulada projetada para operar a partir de navios da classe Littoral Combat Ship.
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O risco representado por minas no Golfo Pérsico não é novo. Durante a Guerra Irã-Iraque, nos anos 1980, navios petroleiros e embarcações comerciais foram frequentemente atacados em um período conhecido como Tanker Wars.
Em 1988, uma mina iraniana atingiu a fragata americana USS Samuel B. Roberts, que participava de uma missão de escolta no Golfo. O incidente levou o então presidente Ronald Reagan a ordenar uma resposta militar. Dias depois, forças americanas lançaram a Operation Praying Mantis, uma ofensiva que destruiu diversas plataformas petrolíferas e embarcações iranianas.
Fonte: O Globo