A oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Aegea, empresa do setor de saneamento básico, deve ocorrer entre o fim de maio e o início de junho, segundo disse nesta terça-feira (17) Alfredo Setubal, presidente da Itaúsa. A operação será uma das maiores vistas no mercado brasileiro, conforme o executivo, considerando o tamanho da companhia.
“Ela precisa de uma estrutura de capital mais confortável para fazer frente aos novos investimentos, às novas oportunidades que ela tem e, ao mesmo tempo, desalavancar um pouco os resultados, a dívida dela”, afirmou.
Em teleconferência com analistas sobre os resultados da Itaúsa no quarto trimestre, o executivo disse que a primeira janela de IPOs do ano foi dificultada pela guerra no Oriente Médio e “todos os impactos que isso tem trazido para os mercados, com aumento da volatilidade”, mas que a Aegea nem conseguiria estrear na bolsa por agora por causa da apresentação do balanço.
Entre maio e junho, Setubal acredita que haverá uma nova janela favorável. “O projeto IPO para a Aegea continua em vigor, sendo trabalhado com toda velocidade. Os bancos já estão contratados, já foram feitos sondagens, roadshows, no Brasil e no exterior, com investidores potenciais de grande porte”, disse.
Questionado por analistas sobre a possibilidade de conversão das ações da Aegea que a Itaúsa tem de preferenciais para ordinárias, Setubal disse não esperar esse movimento e que pretende continuar acionista da Aegea.
“Ainda é prematuro para dizer exatamente quais são os impactos para a Itaúsa desse IPO. Acho que um impacto provável é que destrave um pouco mais de valor desse nosso investimento, que tem sido muito rentável”, completou.
Setubal também disse hoje a analistas que a companhia praticamente encerrou seu processo de “liability management” e que no momento atual não vê “um ganho que justifique pagar um prêmio para os investidores para recomprar dívida e emitir uma dívida nova”.
Segundo o executivo, a Itaúsa está bastante confortável com o prazo médio e com o custo das dívidas que estão no mercado. “Fizemos movimentos [de troca de dívida] que se justificavam. Trocamos dívidas mais caras, mesmo pagando um prêmio para debenturistas, porque fazia sentido que a gente fizesse esse alongamento com um prazo maior e um custo menor”, afirmou.
Setubal disse ainda que a Itaúsa continua olhando para oportunidades em M&A, mas que fatores como o nível alto dos juros e o risco Brasil elevado, acabam prejudicando o cenário para aquisições.
“Nós optamos pela redução da dívida da holding e acho que foi uma decisão correta. Acho que novos investimentos são possíveis num outro cenário de juros um pouco mais baixos, principalmente juros reais mais baixos. Em um cenário em que a gente tenha uma confiança maior no crescimento da economia brasileira em patamares mais robustos”, completou.
Sobre dividendos, ele afirmou que a Itaúsa continuará distribuindo os dividendos brutos que recebe do Itaú Unibanco, desconsiderando o imposto retido na fonte, mas que acha improvável o pagamento de dividendos adicionais “porque ainda temos o custo tributário da ineficiência fiscal da holding.”
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Fonte: Valor Econômico
