O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a prévia da inflação do Brasil, subiu 0,44% em março, conforme apontou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (26). O resultado representa uma desaceleração forte em relação a fevereiro, quando foi registrado uma alta de 0,84%. Ainda assim, a expectativa dos analistas e economistas era de uma desaceleração ainda maior.
A projeção mediana das instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data era que a alta seria de 0,29%. Portanto, a alta da inflação foi bem maior do que o esperado. As estimativas iam de um avanço de 0,22% a uma alta de 0,48%.
Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 3,90%, abaixo dos 4,10% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em março de 2025, o IPCA-15 foi de 0,64%.

Diferença do IPCA-15 para o IPCA
Apesar de ser conhecido como “prévia da inflação” por supostamente antecipar o IPCA, o IPCA-15 mede nada mais, nada menos do que a própria inflação mesmo, só que em outro período.
A diferença prática em relação ao IPCA é que a “prévia” mede a inflação dos dias 15 de um mês e outro, enquanto a inflação “oficial” mede a variação do mês início ao fim daquele mês fechado.

Como afeta os juros?
Quando a inflação está muito alta ou acelerando de forma rápida, o instrumento que o Banco Central usa para conter esse avanço é a Selic, a taxa referência para os juros no Brasil. Assim, o BC pode aumentar os juros para encarecer o crédito às empresas e às pessoas e, dessa forma, conter o consumo e frear a inflação.
O mesmo acontece no cenário oposto. Se a alta dos preços está sob controle, a autoridade monetária pode cortar os juros (ou seja, “baratear o dinheiro”) para incentivar que as empresas e as pessoas voltem a gastar sem que isso comprometa o bolso delas. Portanto, é um estímulo para a economia aquecer.
Atualmente, o Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para 14,75% ao ano. O corte foi mais brando do que o mercado esperava no começo do ano por conta da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que eleva os riscos de inflação global.
Portanto, os investidores monitoram a composição do IPCA-15, à procura de evidências de que a inflação de itens mais resistentes ao ciclo de alta de juros melhorou para decidir o tamanho e a intensidade da queda da Selic.

Fonte: Valor Investe
