A inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou a 0,20% em janeiro, após marcar 0,25% em dezembro, apontou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (27).
A taxa de 0,20% é a segunda menor para meses de janeiro no Plano Real —a moeda passou a circular em julho de 1994. Só fica acima da registrada no primeiro mês de 2025 (0,11%).
O novo resultado veio levemente abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,22%, conforme a agência Bloomberg.
Por outro lado, o IPCA-15 acelerou no acumulado de 12 meses. Após marcar 4,41% até dezembro, alcançou 4,5% até janeiro —teto da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Em parte, o ganho de força do IPCA-15 em 12 meses se explica pelo fato de que, em janeiro do ano passado, o índice havia sido ainda menor com o desconto do bônus de Itaipu na conta de luz. A medida teve atraso em sua incorporação à época.
A divulgação do IBGE ocorre um dia antes do desfecho da primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) em 2026. O colegiado do BC anuncia na quarta (28) o patamar da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano.
Agentes do mercado financeiro esperam que o Copom mantenha a Selic inalterada, adiando para março a previsão de início do ciclo de cortes.
A taxa de juros de dois dígitos é uma tentativa do BC de conter a demanda que pressiona a inflação. A Selic em patamar elevado dificulta o consumo de parte dos bens e serviços, já que o crédito fica mais caro.
O efeito colateral esperado é a desaceleração da economia, que já começou a aparecer no PIB (Produto Interno Bruto).
O BC persegue a meta contínua de inflação cujo centro é 3%. O intervalo de tolerância é de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que significa teto de 4,5% e piso de 1,5%.
A meta de inflação se baseia no IPCA, também calculado pelo IBGE. O IPCA-15, por ser divulgado antes, sinaliza uma tendência para o comportamento dos preços no IPCA.
Uma das diferenças entre os dois indicadores é o período de coleta dos dados. A apuração do IPCA-15 abrange a segunda metade do mês anterior e a primeira do mês de referência. No caso do índice de janeiro, a coleta foi realizada de 13 de dezembro a 14 de janeiro.
Já o levantamento do IPCA ocorre ao longo do mês de referência. Por isso, o resultado de janeiro ainda não está fechado. Será divulgado em 10 de fevereiro.
Na mediana, as projeções do mercado apontam IPCA de 4% no acumulado de 2026, de acordo com o boletim Focus, publicado pelo BC na segunda (26). Caso o número se confirme, mostrará uma desaceleração ante a taxa de 4,26% registrada em 2025.
Nesta terça, entra em vigor um corte de 5,2% no preço da gasolina vendida pelas refinarias da Petrobras para as distribuidoras. A redução tende a aliviar a inflação, caso chegue até o consumidor final nos postos de combustíveis. Isso porque a gasolina tem o maior peso individual na composição do IPCA.
Fonte: Folha de S.Paulo
