O investimento em venture capital (ou capital de risco, investimento em startups e empresas iniciantes com alto potencial de crescimento) triplicou no terceiro trimestre deste ano, segundo o relatório Venture Pulse, da KPMG Private Enterprise. O total de negócios fechados no país foi de US$ 1,140 bilhão frente aos US$ 383 milhões do segundo trimestre do ano. É o maior volume desde o terceiro trimestre de 2022. O foco dos investimentos são as fintechs.
No mundo, segundo o relatório, o investimento em capital de risco aumentou de US$ 112 bilhões no segundo trimestre para US$ 120 bilhões no terceiro trimestre, o quarto consecutivo de crescimento. O otimismo foi impulsionado pelo retorno das aberturas de capital no mercado acionário americano, o que é importante para o mercado de venture capital por ser uma via de saída, ou seja, permite que o investidor se desfaça de sua participação na startup.
De acordo com o estudo, é crescente a “confiança de que as portas do mercado de IPO dos EUA estão agora totalmente reabertas.” Entre os exemplos de “startups de alto perfil” que foram à bolsa estão a empresa de design colaborativo Figma, sediada nos EUA, que levantou US$ 1,2 bilhão e atingiu avaliação de US$ 68 bilhões; a bolsa de ativos digitais Bullish, sediada nos EUA, que levantou US$ 1,1 bilhão e alcançou avaliação de US$ 5,4 bilhões; e a fintech Klarna, sediada na Suécia, que levantou US$ 1,3 bilhão e atingiu o valor de US$ 17 bilhões. “Espera-se que outras startups maduras sigam seus passos nos próximos trimestres.”
“A expectativa é que o ambiente seja mais construtivo para o capital de risco global em 2026”, afirma o relatório. A maior parcela dos investimentos globais foram para as Américas, seguidas pela Europa e Ásia. O relatório também destaca os aportes na África, que, afirma, “deve ver um investimento crescente de capital de risco nos próximos anos.”
No México, o Venture Pulse afirma que o sentimento dos investidores está melhorando em meio às expectativas de que as negociações tarifárias com os EUA serão resolvidas. “Se isso acontecer, poderá catalisar investimentos estrangeiros adicionais no fim do quarto trimestre e em 2026.”
No mercado americano e no Canadá, empresas ligadas à inteligência artificial dominam os investimentos, mas também empreendimentos na área de saúde e financeira são bastante procurados. As maiores rodadas de financiamento foram: Anthropic, com US$ 13 bilhões, xAI, com US$ 10 bilhões, Mistral da França, US$ 1,5 bilhão e Geneysys, US$ 1,5 bilhão.
No Brasil, no terceiro trimestre de 2025, a QI Tech levantou US$ 313 milhões, a Neon, US$ 131 milhões, e a provedora de soluções ERP Omie, US$ 157 milhões, “ressaltando o crescente interesse dos investidores em plataformas SaaS [software as a service] que dão suporte ao ecossistema de pequenas e médias empresas em expansão na região.”
Fonte: Valor Econômico

