Serão vários os desafios que teremos pela frente em 2024: diversos conflitos geopolíticos, eleições de chefes de Estado em vários países, crescimento mais modesto na China, variações climáticas mais severas influenciadas pelo El Niño, La Niña e Dipolo do Atlântico, impactos (defasados) nas economias globais decorrentes das elevadas taxas de juros vigentes. Esses eventos trazem várias incertezas, mas também criam muitas oportunidades.
A velocidade e a magnitude da redução dos juros serão diferentes entre economias desenvolvidas e emergentes. Mesmo entre países desenvolvidos como EUA, Alemanha e Reino Unido ou países emergentes como Brasil, México e Índia, a dinâmica dos cortes será distinta, o que proporcionará oportunidades relativas entre juros e moedas dessas diferentes regiões. O mercado de ações também não evoluirá da mesma forma em países como Japão, Brasil, Índia e China, dependendo das condições econômicas e fiscais de cada país, das suas perspectivas de crescimento doméstico e do seu nível de exposição às incertezas acima. De forma similar, as commodities agrícolas, energéticas e minerais e metálicas apresentarão dinâmicas específicas, seja por incertezas relacionadas ao crescimento global, a conflitos geopolíticos ou a fenômenos climáticos mais rigorosos.
Felizmente, é justamente nesse ambiente incerto e conturbado que as mudanças introduzidas pela resolução CVM 175 fazem a diferença. Dentre as melhorias trazidas pela nova regra para a indústria de fundos local, o aumento dos limites de alocação no exterior para todos os investidores é, possivelmente, o principal avanço para o nosso mercado. Ela amplia a capacidade de diversificação dos portfólios locais, tanto para mitigar os riscos de determinados cenários quanto para aproveitar eventuais oportunidades em dezenas de outros mercados ao redor do mundo.
A diversificação global mais ampla, entretanto, demanda um processo de investimento mais sofisticado, que seja capaz de acompanhar detalhadamente os mercados em diversos países, identificar as boas oportunidades e, principalmente, balancear adequadamente os riscos oriundos de diferentes cenários e contextos econômicos.
Dentre as diferentes abordagens que podem ser utilizadas para alcançar esse patamar de sofisticação, a combinação da gestão discricionária tradicional com processos quantitativos tem se mostrado uma alternativa promissora, que é amplamente utilizada por grandes gestoras de recursos internacionais.
Os avanços tecnológicos recentes, tais como computação na nuvem, inteligência artificial, big data etc., aliados a sofisticados modelos estatísticos de previsão e convicção sobre tendências, detecção de mudança de regimes e comportamentos, gerenciamento dinâmico de riscos etc., têm se mostrado ferramentas excepcionais para embasar (ou refutar) decisões de investimento.
Essas ferramentas proporcionam a escalabilidade, ou seja, a capacidade de acompanhar adequadamente uma vasta quantidade de informações, e a disciplina de processos de investimento bem definidos e fundamentados necessárias para identificar, acompanhar e explorar oportunidades em diversos mercados ao redor do mundo de forma eficiente, confiável e bem-sucedida.
Contudo, é fundamental lembrar que esses modelos e ferramentas quantitativas ainda são simplificações do mundo real, e que dependem, ao menos por ora, do conhecimento e do bom senso de gestores experientes para avaliar suas recomendações.
A combinação do bom senso discricionário a um amplo e moderno conjunto de ferramentas quantitativas alia o melhor desses dois mundos na gestão de investimentos: a capacidade de analisar um vasto e complexo universo de informações à experiência dos gestores de balancear as melhores recomendações dentro desse universo.
Fonte: Valor Econômico
