Por Augusto Decker — De São Paulo
18/05/2023 05h03 Atualizado há 3 horas
Com o apoio de ações ligadas a commodities metálicas e de papéis de empresas associadas à economia doméstica, o Ibovespa encontrou forças para registar alta firme na sessão de ontem. Fechou próximo do nível psicológico dos 110 mil pontos e o índice subiu 1,17%, aos 109.460 pontos. Das últimas dez sessões, o Ibovespa teve valorização em nove.
A maior parte dos ganhos parece já ter acontecido, mas o Ibovespa ainda tem algum espaço para avançar, aponta Thalles Franco, sócio e gestor da RPS Capital. “Vemos uma economia doméstica mais resiliente do que imaginávamos, com dados positivos de emprego, varejo e serviços”, afirma.
Outro ponto citado por Franco é o de que o início do ciclo de redução dos juros está próximo, o que costuma ser positivo para a bolsa. “Por último, o ‘valuation’ da bolsa está bem atrativo, principalmente entre as empresas mais voltadas à economia doméstica”, diz.
O indicador a concentrar as atenções do mercado ontem foi o resultado de março das vendas do comércio varejista, que ficou acima do esperado pelos agentes do mercado e entrou na lista das surpresas positivas na atividade econômica. Assim, ações de varejistas exibiram ganhos expressivos. Os papéis ordinários da Lojas Renner subiram 9,66% e os da Via ganharam 3,43%.
“Ouvimos recentemente o argumento de que a valorização das ações brasileiras observada ultimamente (alta de 10,5% do Ibovespa desde as mínimas de março) ocorreu porque todos os catalisadores já funcionaram. Nós discordamos”, dizem os estrategistas do J.P. Morgan em nota a clientes.
Para eles, a melhora nos preços de outros ativos, como os juros de longo prazo, “é bem mais significativa do que o que está sendo traduzido nos preços”. “Não apenas isso, mas o gatilho mais importante de todos, os cortes na taxa de juros, ainda não se materializou”, enfatizam os estrategistas, que se mantêm otimistas com o mercado acionário brasileiro.
Papéis de mineração e siderurgia, como Vale ON (+3,31%) e Gerdau PN (+3,30%) tiveram ganhos significativos e deram sustentação à bolsa, alinhados ao minério de ferro. “Na China, existe uma preocupação com os estoques de aço, que ainda estão altos. Isso pode reduzir a demanda e pesar sobre o preço do minério de ferro”, afirma Franco, da RPS. “Estamos cautelosos com esse setor.”
Por outro lado, Petrobras PN recuou 2,43% e Petrobras ON perdeu 0,62%. O mercado começa a levar em conta as incertezas a respeito da nova política de preços de combustíveis e as preocupações com um eventual movimento de alta das cotações do petróleo. Investidores temem que possa haver pressões políticas caso o Brent se valorize. Assim, muitos agentes optaram pela cautela em relação à estatal.
Fonte: Valor Econômico
