Operadora de saúde reúne quatro universidades no projeto, que tem apoio da Fapesp, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Comitê Gestor de Internet
Por Ivone Santana — De São Paulo
20/03/2023 05h01 Atualizado há 6 horas
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Almeida (à esq.) e Castiglia: quatro universidades e apoio de instituições — Foto: Silvia Zamboni/Valor
O Grupo Hapvida NotreDame Intermédica e a Universidade Federal do Ceará (UFC) inauguram, nesta segunda-feira, o Centro de Referência em Inteligência Artificial (Cereia). A unidade, que ocupará 380 m2 na área da UFC, em Fortaleza (CE), tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Como parte do acordo para desenvolvimento do projeto, a operadora de saúde investirá R$ 1 milhão por ano, ao longo de cinco anos. Em contrapartida, o Cereia receberá financiamento da Fapesp, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI.br) que, juntos, liberarão igual quantia no mesmo período.
O total de R$ 10 milhões não inclui o investimento econômico, com horas trabalhadas de cientistas, técnicos e pesquisadores de mais três instituições que vão colaborar com o projeto – Universidade Federal do Piauí (UFPI), Universidade de Fortaleza (Unifor) e Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).
As quatro universidades dividirão seis linhas de pesquisa – predição de doenças crônicas, apoio à avaliação de exames radiológicos, engajamento de pacientes, monitoramento remoto de pacientes, anamnese assistida por inteligência artificial (IA) e interfaces para ciência de dados na saúde. As aplicações tecnológicas incluem internet das coisas, big data, transformação digital, entre outras.
“Trazer o mundo acadêmico para nossa área de tecnologia avançada, com tantos dados, para os cientistas é um sonho”, diz Kenneth Almeida, diretor-executivo da Hapvida para pesquisa, desenvolvimento e educação, e professor de Data Science da Fiap. “Para nós, o sonho é trabalhar com eles.”
A ideia do projeto tornou-se realidade para o grupo quando a Fapesp fez uma chamada de projetos direcionados a centros de desenvolvimento de IA, de outubro de 2020 a março de 2021, atraindo o interesse de 19 instituições.
Com sua proposta aprovada, a operadora decidiu implantar o centro no Nordeste, onde mantinha um vínculo forte com a área acadêmica. Assim, criou-se um ecossistema ligado à IA, conta Felipe Castiglia, diretor de tecnologia e inovação do grupo.
Para Almeida, a decisão da Fapesp de não focar esses centros apenas no Sul e Sudeste é positiva, além da localização estratégica da sede do grupo. O executivo destaca que mais de 60% dos serviços de tecnologia estão no Sul e Sudeste, e o restante fragmentado pelo país.
“Estamos falando de uma política de como pensar em desenvolver mão de obra de maneira equânime, inteligente, usando a visão de vários ambientes”, diz Almeida, ao destacar o déficit nacional de mão de obra em tecnologia – 150 mil profissionais, em média, versus a formação de 56 mil.
Almeida, que deixou o Hospital Alemão Oswaldo Cruz para assumir a atual posição, afirma que entre as razões da troca estão a inovação na operadora de saúde e um imenso volume de dados, referente a cerca de 9 milhões de vidas. “Temos condição de fazer análise num ‘pequeno país’ ”, compara ele. “A IA aplicada vai gerar muitos benefícios aos nossos usuários.”
Segundo Castiglia, todos os sistemas estarão na nuvem computacional. Os pesquisadores podem trabalhar remotamente para desenvolver algoritmos de IA, por meio de máquinas virtuais, em uma rede privativa.
Fonte: Valor Econômico