O diretor de política monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo — Foto: Arthur Menescal/Bloomberg
O Palácio do Planalto discute indicar em duas semanas o nome de Gabriel Galípolo para a presidência do Banco Central, em substituição a Roberto Campos Neto, cujo mandato se encerra no fim do ano. Galípolo ocupa hoje o cargo de diretor de política monetária do BC e ganhou ainda mais força para suceder Campos Neto no posto.
Interlocutores da cúpula do governo admitem, em condição de anonimato, que o nome de Galípolo deve ser oficializado porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria chegado à conclusão de que é mais fácil designar a presidência do banco para um nome interno da diretoria. Segundo assessores próximos, Lula ficou convencido de que seria uma operação mais complexa e turbulenta escolher alguém de fora do banco para chegar e ser presidente.
Diante dessa constatação, os governistas passaram a discutir, então, oficializar a escolha de Galípolo o quanto antes, como forma de abrir uma nova vaga de diretor no órgão. Com a vaga de Galípolo aberta, o governo poderia, aí sim, começar a debater com “mais tranquilidade” uma indicação de fora para ocupar esse novo espaço vago no colegiado do BC.
O prazo de duas semanas está sendo pensado, por sua vez, porque seria uma forma de a indicação coincidir com o esforço concentrado que será realizado pelo Senado Federal, Casa que é responsável por aprovar as indicações presidenciais para órgãos e agências reguladoras.
Recentemente, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), indicou a nomes próximos que pretende fazer um esforço concentrado — quando os parlamentares são convocados a estarem presencialmente em Brasília para as votações — na primeira semana de setembro.
Se, de fato, tiver seu nome oficializado para o cargo de presidente do BC, Galípolo terá que ser sabatinado e aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da Casa. Os integrantes da comissão, no entanto, precisam estar presencialmente em Brasília para essa votação, já que a escolha de indicados para o BC recebe votação secreta.
Como adiantou o Valor recentemente, os integrantes da ala política do governo também planejam costurar um pacto com líderes do Congresso para tornar mais célere essa indicação.
A estratégia é propor isso a dois dos principais caciques do Senado: o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e o titular da Comissão de Constituição e Justiça, Davi Alcolumbre (União-AP), cotado para voltar ao comando do Congresso no ano que vem. Ambos já reclamaram de terem sido surpreendidos por outras indicações a diretorias do BC no passado.
Além deles, o plano envolve um aceite do atual presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Vanderlan Cardoso (PSD-GO), conhecido por ser um quadro da oposição. Ao Valor, Vanderlan disse que prefere aguardar para saber qual seria a justificativa do governo para antecipar a indicação antes de se posicionar.
Fonte: Valor Econômico
