Por Vandson Lima e Caetano Tonet, Valor — Brasília
09/02/2023 18h08 Atualizado há 16 horas
A base governista do Senado decidiu que não vai ter acordo com o PL: por terem lançado Rogério Marinho (PL-RN) como candidato à presidência da Casa contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que se reelegeu, a ordem é “esmagar” o PL no Senado, evitando que a sigla pegue o comando de qualquer comissão importante – e até mesmo deixá-lo sem nenhuma das 14 comissões de mérito, mesmo sendo o PL a segunda maior bancada.
Nas conversas, o PL requisitou a Comissão de Infraestrutura (CI). Como o partido está em um bloco junto com PP, Republicanos e Novo, com 23 integrantes, também foi colocada a possibilidade de os oposicionistas ficarem com a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), tendo como indicada a ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro (PL), Tereza Cristina (PP-MS). Os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Pacheco descartaram totalmente este acordo. A própria Tereza Cristina, segundo interlocutores, não teria tanto interesse no colegiado, pois quer expandir seu campo de atuação no Senado.
Assim, a escolhida para a Comissão de Agricultura será a senadora Soraya Thronicke (União-MS), que confirmou ao Valor o acordo para ficar à frente do colegiado nos próximos dois anos.
Até mesmo postos pouco prestigiados, como a Comissão Senado do Futuro, a base governista quer que fiquem longe do PL. Segundo uma fonte, este colegiado passará por uma reformulação, para ser um local de discussões sobre a proteção da democracia — e como parte dos bolsonaristas endossou o ataque golpista aos prédios dos Três Poderes, em 8 de janeiro, também não seria um espaço adequado a eles.
Outro problema é a própria desorganização da oposição. Segundo um senador do PP, o grupo está agora dividido e desordenado. O principal sinal foi a demora para oficializar Rogério Marinho (PL-RN) como líder após a eleição. “Fizemos expressivos 32 votos e no outro dia ninguém se falou. Era para ter reunido todo mundo e traçado uma estratégia concreta de oposição”, apontou o parlamentar, sob reserva.
O PT vai ocupar as comissões de Assuntos Sociais (CAS) e de Direitos Humanos (CDH). O partido trata ambas como prioridade para evitar que caiam nas mãos de parlamentares bolsonaristas da ala mais radical, como a ex-ministra Damares Alves (Republicanos-DF) e Magno Malta (PL-ES). Os mais cotados para os cargos são Paulo Paim (RS) e Humberto Costa (PE). Outra comissão que o partido do presidente Lula pretende pleitear é a de Relações Exteriores (CRE), mas esta tende a ficar com o senador Renan Calheiros (MDB-AL). A Comissão de Educação irá para Flávio Arns (PSB-PR).
No campo governista, a resistência de algumas alas do Senado ao ex-presidente Davi Alcolumbre (União-AP) levou à especulação de que, para garantir sua recondução na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Casa, ele poderia ficar apenas mais um ano na função, ao invés de dois anos regulamentares. No segundo ano, ele passaria a presidência ao MDB. Ao Valor, Alcolumbre negou uma negociação nesse sentido.
Fonte: Valor Econômico

