Embora alguns investidores possam estar apreensivos em relação ao crédito privado, os fundamentos do private credit [crédito privado] ainda parecem sólidos, afirma Vivek Bantwal, co-head global de private credit [crédito privado] da Goldman Sachs Asset Management.
Investidores de varejo que aderiram mais recentemente a fundos de private credit [crédito privado] podem estar retirando parte de seus recursos, gerando saídas e fraqueza técnica no mercado.
A concessão de crédito privado a empresas de software geralmente está protegida no topo da estrutura de capital (primeira na fila para pagamento em caso de reestruturação), mas os resultados podem variar conforme as práticas de underwriting [originação e análise de risco de crédito].
É improvável que o private credit [crédito privado] represente um risco significativo para o sistema financeiro porque os investimentos não estão concentrados, a alavancagem é limitada e ativos e passivos estão bem compatibilizados, diz Bantwal.
Os investidores estão preocupados com a possibilidade de riscos não reconhecidos terem se acumulado no private credit [crédito privado], levando alguns a retirar dinheiro do mercado. Mas há sinais de que os fundamentos do private credit [crédito privado] permanecem sólidos, afirma Vivek Bantwal, co-head global de private credit [crédito privado] da Goldman Sachs Asset Management.
“O private credit [crédito privado] certamente está recebendo muita atenção da mídia neste momento, e nem toda ela é necessariamente nuançada ou precisa”, diz ele.
Os dados indicam que inadimplências e empréstimos em atraso no crédito público e no privado continuam em níveis relativamente baixos. Ainda assim, alguns gestores divulgaram informações [disclosures], buscando atenuar preocupações, e essas informações são tranquilizadoras, diz Bantwal. Elas mostram crescimento de dois dígitos em receita e EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) por parte dos tomadores, aumento da cobertura de juros e melhora das margens.
Como os investidores de varejo estão afetando os mercados de crédito privado
Parte do que está ocorrendo nos mercados de private credit [crédito privado] é mais técnica do que fundamental, diz Bantwal. Alguns investidores de varejo estão saindo do mercado, recuando em meio aos relatos sobre riscos potenciais. À medida que isso acontece, o private credit [crédito privado] pode passar a apresentar yields mais altos em relação à taxa livre de risco, dado o quanto os spreads se estreitaram nos últimos anos com o aumento da entrada de recursos de investidores de varejo na classe.
De fato, o private credit [crédito privado] cresceu rapidamente à medida que os gestores passaram a comercializar cada vez mais novos veículos para investidores individuais de alta renda, ampliando sua base tradicional de investidores institucionais, diz Bantwal. A tese enfatizava o potencial de os investidores de varejo se beneficiarem de um prêmio de iliquidez (retornos elevados em investimentos que não são negociados com tanta facilidade) em relação aos ativos públicos de renda fixa. O acesso do varejo concentrou-se em business development companies (BDCs) [empresas de desenvolvimento de negócios] e outras estruturas evergreen [veículos sem prazo fixo], ao lado dos tradicionais closed-end drawdown funds [fundos fechados com chamadas de capital ao longo do tempo] há muito utilizados por investidores institucionais.
Como essas estruturas mais novas eram frequentemente chamadas de fundos “semi-líquidos”, alguns investidores podem ter ficado com uma compreensão excessivamente simplificada de como elas funcionam, segundo Bantwal. Esses investimentos sempre foram destinados à parcela ilíquida de um portfólio, afirma ele.
As inadimplências no crédito privado estão aumentando?
Bantwal vê, sim, alguns motivos para cautela em relação ao private credit [crédito privado]. “Não vimos um verdadeiro ciclo de crédito desde a recuperação da Crise Financeira Global”, afirma ele. A indústria de private credit [crédito privado] cresceu e amadureceu nos 17 anos subsequentes. “Há muitos novos participantes no private credit [crédito privado] que não foram testados ao longo dos ciclos.”
Além disso, os padrões de underwriting [originação e análise de risco de crédito] tendem a se deteriorar durante períodos benignos prolongados, afirma Bantwal. Isso criará algum risco e dispersão entre os credores quando vier a próxima desaceleração, mas esse risco existe em bancos, no crédito público e no crédito privado.
É improvável que os ciclos de crédito terminem a menos que haja uma recessão. De modo geral, o desempenho dos tomadores tanto no mercado de crédito público quanto no privado continua forte, observa Bantwal.
O crédito privado está vulnerável à disrupção em empresas de software?
Uma das preocupações que vêm ganhando força nos mercados de private credit [crédito privado] é a possibilidade de gestores terem emprestado dinheiro demais a empresas de software e tecnologia vulneráveis à disrupção provocada pela inteligência artificial (IA). As ações de software caíram fortemente desde fevereiro.
Muitos gestores de private credit [crédito privado] de fato têm exposição significativa a empresas de software e tecnologia, em alguns casos de até 25% ou 30% de seus portfólios, diz Bantwal. No entanto, sua concessão de crédito está no topo da estrutura de capital e relativamente protegida de reestruturações.
Bantwal descreve um cenário hipotético em que o crédito foi concedido a uma empresa de software a seis vezes dívida/EBITDA. Se a empresa foi inicialmente avaliada em 24 vezes EBITDA e talvez tenha visto essa avaliação ser reduzida pela metade, ainda assim existe uma margem de proteção significativa para que a empresa honre o empréstimo. Em outras palavras, a posição sênior de crédito oferece proteção.
O que será importante é o underwriting [originação e análise de risco de crédito], diz Bantwal. “Porque nem todo software é igual.” Empresas de software com modelos de negócios que mantêm controle sobre dados proprietários, relacionamentos de longa data com clientes, ou um papel mission-critical [essencial para a operação] serão mais resilientes diante da disrupção da IA. Algumas outras empresas podem enfrentar dificuldades e ver suas avaliações caírem o suficiente para que seus empréstimos de private credit [crédito privado] se tornem mais frágeis.
Bantwal conclui que essa dinâmica provavelmente aumentará a dispersão no desempenho dos portfólios de private credit [crédito privado] — ampliando a faixa de resultados entre os melhores e os piores fundos.
O crédito privado é um risco sistêmico para o sistema financeiro?
Quaisquer riscos potenciais que os mercados de private credit [crédito privado] possam representar para o sistema financeiro como um todo são atenuados por várias razões, afirma ele. O risco sistêmico em períodos anteriores, como a Crise Financeira Global, envolvia concentração, interconectividade, alta alavancagem e descasamento entre ativos e passivos [asset-liability mismatch].
Bantwal não vê hoje essas potenciais preocupações sistêmicas no private credit [crédito privado]. Em vez de estarem concentrados, os US$ 1,5 trilhão a US$ 2 trilhões do mercado de private credit [crédito privado] estão distribuídos entre muitos milhares de participantes, com interconexão limitada, afirma ele. A alavancagem nos veículos de private credit [crédito privado] é de cerca de um para um. E ativos e passivos estão bem compatibilizados porque fundos fechados de private credit [crédito privado], e até mesmo a estrutura de BDC, impedem ou limitam retiradas rápidas por parte dos investidores.
Fonte: Goldman Sachs Research
