O Goldman Sachs revisou suas projeções para a trajetória dos juros nos Estados Unidos e agora vê dois cortes de juros para junho e dezembro de 2027, ante a projeção anterior de um corte em dezembro deste ano e outro em março do ano que vem. A mudança reflete a resiliência do mercado de trabalho americano e a expectativa de que a taxa de desemprego avance apenas de forma moderada. O banco continua avaliando que uma alta de juros é pouco provável.
“O mercado de trabalho tem se mostrado mais forte do que prevíamos, e agora esperamos que a taxa de desemprego suba apenas um pouco mais, para 4,4%, o que não justifica uma urgência para reduzir as taxas”, diz o economista David Mericle, em relatório. O Fed deve adiar cortes de juros até que as pressões inflacionárias ligadas às tarifas, a conflitos geopolíticos e ao “boom” da inteligência artificial (IA) diminuam, pontua.
Mericle escreve que os aumentos de juros pelo Fed continuam sendo improváveis, “embora um pouco mais prováveis do que pensávamos inicialmente”. Segundo ele, os dirigentes do banco central americano adotaram um discurso mais “hawkish”, propenso ao aperto monetário, enquanto a resiliência da atividade econômica e do mercado de trabalho reduziu o grau de deterioração necessário para justificar um aumento dos juros.
“Mas ainda não vimos sinais de que o choque inflacionário da guerra esteja se ampliando”, diz. “Com o mercado de trabalho em equilíbrio e o crescimento salarial abaixo da taxa compatível com uma inflação de 2%, o choque inflacionário parece menos propenso a se tornar autossustentável.”
O Goldman Sachs manteve sua projeção para a taxa dos juros entre 3% e 3,25% ao término do ciclo de política monetária, em linha com a expectativa de que a maioria dos membros do Fed ainda veja espaço para uma maior normalização. No entanto, o banco avalia que uma pausa mais prolongada nos cortes pode dar tempo para que a resiliência da economia convença os dirigentes do Fed de que a taxa básica já está em um nível apropriado, tornando um cenário de estabilidade dos juros uma alternativa cada vez mais plausível.
Fonte: Valor Econômico