28 Apr 2023
A gestora Vinci Partners, com mais de R$ 63 bilhões em ativos sob gestão e listada na Nasdaq, faz nova ofensiva para vender o controle do Grupo Austral, que atua nas áreas de seguros e resseguros. Potenciais compradores seriam investidores estratégicos, ou seja, algum concorrente nesses segmentos, segundo fontes. Nomes são mantidos em sigilo, pois as conversas estão em estágio inicial. O motivo para a tentativa de venda é a maturação do negócio. Tradicionalmente, gestoras como a Vinci, com forte atuação na indústria de private equity (que compram participações em empresas), têm um prazo determinado para desinvestimento. A Seneca Evercore, especializada em fusões e aquisições, assessora as negociações do lado da Vinci.
Estrangeiros já olharam o negócio
Uma primeira tentativa de venda ocorreu em 2015. Houve conversas com o chinês Fosun e com a americana Argo, sem sucesso. De lá para cá, os rumos do negócio mudaram. A Austral fez aquisições, marcou presença em contratos importantes, como o seguro da Petrobras, e avançou ao mercado internacional.
Ativos somam mais de R$ 5 bilhões
Com uma carteira de investimentos de R$ 1,2 bilhão, a Austral fechou 2022 com mais de R$ 3 bilhões em prêmios totais, alta de 41,4% ante 2021. Os ativos atingiram R$ 5,2 bilhões, avanço de 32,8%, na mesma comparação. Por sua vez, o lucro líquido consolidado foi de R$ 76 milhões em 2022, avanço de 8,7%.
AQUISIÇÕES. A Austral passou a ser uma consolidadora na área de resseguros, uma espécie de seguro das seguradoras. Em 2019, anunciou uma fusão com a Terra Brasis, da Genial Investimentos. Dois anos depois, a companhia resultante adquiriu a operação de resseguros da americana Markel no Brasil.
DONOS. O grupo Austral foi fundado em 2010 pelos sócios da Vinci, dentre eles, o ex-banqueiro Gilberto Sayão. A gestora controla a holding, com 70% do negócio, que tem o braço financeiro do Banco Mundial, o International Finance Corporation (IFC), com 20%, e a Genial Investimentos (antiga Brasil Plural), com 10%, como sócios minoritários.
BOLSA. Uma abertura de capital da Austral foi cogitada, conforme fontes. Mas a crise do ressegurador IRB Brasil Re, seguida da Covid-19 e a volatilidade gerada pelo processo de aperto monetário no mundo inviabilizaram uma listagem em Bolsa. Procurada, a Vinci disse que “não comenta rumores de mercado”. A Austral também não se manifestou.
Fonte: O Estado de S. Paulo
