Os fundos de investimentos tiveram captação líquida de 48,5 bilhões em fevereiro, impulsionados pelas carteiras de renda fixa e pelos fundos de índice listados em bolsa (ETF, na sigla em inglês). No acumulado do ano, os ingressos líquidos somam R$ 134,3 bilhões. Multimercados e ações voltaram a ter saques.
Os fundos de renda fixa lideraram o resultado do mês, com captação líquida de R$ 55,6 bilhões, ligeiramente abaixo dos R$ 58,5 bilhões registrados em janeiro. O destaque ficou para os fundos do tipo renda fixa duração baixa soberano — que investem 100% em títulos públicos federais —, que atraíram R$ 18,1 bilhões.
Os ETFs captaram R$ 5,8 bilhões, valor que supera com folga os R$ 3,3 bilhões de janeiro. Foram os de renda fixa que responderam pela maior parte do resultado, com entradas líquidas de R$ 5 bilhões, enquanto os de renda variável registraram captação de R$ 753,9 milhões.
Esses fundos vêm se destacando desde 2025, quando atingiram o recorde de R$ 23,1 bilhões em captação líquida — o maior valor desde o início da série histórica da Anbima, que começa em 2004. O patrimônio líquido do segmento bateu os R$ 96,9 bilhões em fevereiro, saindo de R$ 46,2 bilhões um ano atrás.
“Em um cenário econômico, tanto doméstico quanto internacional, marcado por incertezas, a renda fixa deve continuar sendo o principal destino dos recursos dos investidores, pela previsibilidade que oferece”, afirma Pedro Rudge, diretor da Anbima, em nota. “A escolha de parte dos investidores por acessar essa classe por meio de ETFs evidencia a evolução da indústria de fundos, com a oferta de produtos cada vez mais eficientes do ponto de vista tributário e de custos.”
Os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC) também atraíram dinheiro novo, com captação líquida de R$ 1,1 bilhão, mas concentrada num único veículo do setor financeiro.
No vermelho
Na ponta negativa, os multimercados lideraram os resgates, com saídas líquidas de R$ 7,9 bilhões, seguidos pelos portfólios de ações, que registraram, com saques de R$ 4,7 bilhões. Os fundos de previdência também fecharam o mês no vermelho, com perdas líquidas de R$ 1 bilhão. Na sequência, vieram os fundos de investimento em participações (FIP), com resgates de R$ 221 milhões, e os cambiais, com R$ 204,1 milhões.
Tanto na categoria de ações quanto na de multimercados, os fundos do tipo livre — que não seguem uma estratégia específica — concentraram os maiores resgates, de R$ 2,6 bilhões e R$ 8,7 bilhões, respectivamente.
Apesar das saídas em fevereiro, no acumulado do ano os multimercados ainda apresentam saldo positivo de R$ 11,6 bilhões. Já os fundos de ações acumulam saídas de R$ 6,9 bilhões.
Rentabilidade
Na renda fixa, os fundos do tipo duração alta soberano, que concentram a carteira em títulos do governo, lideraram os ganhos, com rentabilidade de 1,30% em fevereiro.
Já na categoria de multimercados, o destaque ficou com os fundos do tipo macro, que investem em diversas classes de ativos com base no cenário macroeconômico. No mês, eles registraram retorno de 1,39%.
Fonte: Valor Econômico
