Por Valentina Romei, Financial Times
09/01/2023 09h07 Atualizado há 11 horas
O desemprego na zona do euro se manteve na mínima recorde de 6,5% em novembro, enquanto a produção das fábricas alemãs aumentou, reforçando as expectativas de uma desaceleração econômica mais branda no bloco.
Os novos dados ajudaram o euro a se valorizar quase 1% frente ao dólar, alcançando a máxima de US$ 1,0760 nesta segunda-feira (09) — seu maior nível desde junho.
Os números também deram impulso as bolsas europeias, dando continuidade à alta proporcionada pelos dados de inflação relativamente brandos da semana passada. O índice Euro Stoxx 600 subiu 0,9%, enquanto o Dax alemão fechou com alta de 1,25%.
A disparada dos preços de energia no segundo trimestre do ano passado, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, desencadeou preocupações sobre o risco de escassez de energia e de uma profunda recessão na zona do euro.
Mas os economistas tem melhorado suas estimativas de crescimento nos últimos meses, respaldados pelos dados melhores do que os previstos e pela queda dos preços do gás no atacado.
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O índice Sentix de sentimento do mercado subiu em janeiro, pelo terceiro mês consecutivo, para seu nível mais elevado desde junho de 2022. “Os investidores têm esperanças de [enfrentar] uma recessão branda” disse o diretor executivo da Sentix, Patrick Hussy.
A taxa de desemprego caiu 0,1 ponto porcentual na Itália, França e Espanha, para 7,8%, 7% e 12,4%, respectivamente. Permaneceu em 3% na Alemanha.
A produção industrial da Alemanha aumentou 0,2% entre outubro e novembro, uma marca ligeiramente melhor que a de 0,1% de expansão projetada por economistas consultados pela Reuters.
Franziska Palmas, economista para a Europa da consultoria Capital Economics, disse que esse aumento confirmou que a indústria de transformação alemã “sustentou-se melhor do que o previsto” no último trimestre de 2022.
Mas a melhora da perspectiva da economia da zona do euro pressionará o Banco Central Europeu (BCE) a manter seus esforços para pôr a inflação sob controle.
Uma economia mais forte poderá estimular os trabalhadores a pressionar por aumentos salariais sem medo de perder seus empregos e dotar às empresas de maior confiança em sua capacidade de aumentar os preços a fim de defender as margens de lucro. Prevê-se que a resiliência econômica levará o BCE a subir mais os juros.
Com o desemprego em níveis historicamente baixos, “a linha-dura do BCE deverá dobrar as apostas em mais aperto nos próximos meses”, disse Paolo Grignani, economista da Oxford Economics.
Os mercados estão precificando um aumento de 50 pontos-base nas taxas de juros na próxima reunião do BCE, em 2 de fevereiro.
Um mercado de trabalho apertado pode impulsionar a alta dos salários e manter a inflação subjacente mais elevada por mais tempo. A taxa da inflação caiu para menos de 10% em dezembro, para 9,2%. Mas a medida núcleo, que exclui os custos de alimentos e de energia e que é vista como uma medida melhor das pressões dos preços de mais longo prazo, elevou-se de 5% para 5,2%.
A solidez do mercado de trabalho “o torna um risco-chave para os efeitos de segunda rodada da inflação para o BCE”, disse Bert Colijn, economista para a Europa do ING. Com um mercado de trabalho tão apertado, “é pouco provável que o desemprego aumente o suficiente a ponto de tornar os episódios de escassez de mão de obra coisa do passado”, acrescentou.
Melanie Debono, economista-sênior para a Europa da Pantheon Macroeconomics, disse que o apoio fiscal em toda a zona do euro deverá evitar “um aumento significativo do desemprego”, apesar da desaceleração econômica.
Fonte: Valor Econômico

