As autoridades israelenses vêm se preparando para uma campanha longa contra o grupo militante libanês Hezbollah e que provavelmente continuará após o fim da guerra contra o Irã, segundo fontes.
Na semana passada, autoridades de Israel previram que a guerra americano-israelense contra o Irã durará “semanas”, nas quais tentarão destruir tanto as capacidades nucleares e de mísseis balísticos do país quanto os principais pilares iranianos de segurança que dão sustentação à República Islâmica.
No entanto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pareceu mostrar uma avaliação mais moderada em uma de suas várias declarações na segunda-feira (9), ao dizer que o andamento da guerra estava adiantado em relação ao cronograma e que a guerra já estava “praticamente concluída”.
Segundo fontes, a ofensiva israelense contra o Hezbollah, iniciada após o grupo apoiado pelo Irã disparar foguetes contra o norte de Israel na semana passada, durará no mínimo tanto quanto a ofensiva contra o Irã e poderia até continuar após qualquer cessar-fogo com Teerã.
“[O objetivo é] infligir danos suficientes [ao Hezbollah] para que não exista esse constante medo de precisar retirar os moradores do norte”, disse uma das fontes, referindo-se às comunidades israelenses deslocadas em confrontos anteriores com o Hezbollah.
De acordo com um diplomata árabe, a mensagem sobre a previsão de duração do confronto foi passada a países da região. “Os israelenses vêm preparando os atores internacionais para a possibilidade de que a guerra com o Hezbollah possa se prolongar e durar mais do que a guerra com o Irã”, disse o diplomata.
Também há esforços diplomáticos para evitar uma operação israelense maior. A França ofereceu ajuda para desarmar o Hezbollah, segundo uma fonte informada sobre o assunto, enquanto autoridades libanesas disseram publicamente estar abertas a negociações diretas com Israel.
Os israelenses já vinham discutindo uma nova ofensiva contra o Hezbollah mesmo antes do lançamento do ataque americano-israelense contra o Irã, segundo uma fonte informada sobre a operação.
Israel iniciou uma guerra em grande escala contra o Líbano em outubro de 2024, após um ano de trocas de tiros entre os dois inimigos, que começaram quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel após o ataque do Hamas em outubro de 2023 a partir da Faixa de Gaza.
Um cessar-fogo intermediado pelos EUA encerrou nominalmente os combates, mas Israel continuou a realizar ataques quase diários contra o Hezbollah, sob o argumento de que o desarmamento do grupo – esperado por Israel, os EUA e o governo libanês como parte do acordo, mas com o qual o Hezbollah nunca concordou expressamente – não vinha avançando rápido o suficiente.
Na semana passada, as hostilidades voltaram a se intensificar. Israel lançou um ataque mais amplo contra o Hezbollah depois de o grupo disparar foguetes e drones contra Israel em retaliação pela morte, por Israel, do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.
“O Hezbollah cometeu um erro grave”, disse um oficial israelense.
Desde então, forças israelenses atingiram mais de 600 alvos no Líbano, com a maioria dos ataques concentrada no sul do país e nos subúrbios, densamente povoados, do sul de Beirute, onde o Hezbollah exerce forte influência. Isso desencadeou a maior retirada de civis libaneses desde o fim da guerra de 2024.
Após o cessar-fogo de 2024, Israel manteve soldados em pelo menos cinco posições próximas à fronteira, mas já dentro do território libanês. O país enviou forças adicionais ao Líbano e agora mantém pelo menos 12 de postos ao longo da estreita faixa da fronteira, segundo duas fontes a par do assunto.
Autoridades israelenses sustentam que se trata de uma medida defensiva para evitar qualquer tentativa do Hezbollah de disparar diretamente contra comunidades do norte de Israel ou realizar incursões pela fronteira.
Apesar de ter mobilizado dezenas de milhares de reservistas, o Exército israelense ainda não avançou mais ao norte, rumo à segunda e à terceira linha de vilarejos libaneses próximos da fronteira, como fez durante a ofensiva terrestre de 2024.
A intensidade da guerra em grande escala ainda em andamento contra o Irã complica a situação. “A maior parte dos recursos aéreos vem sendo usada nesse front”, disse um oficial de segurança israelense.
Ainda assim, forças israelenses realizaram várias incursões mais profundas em território libanês, como uma no sul no domingo (8) à noite e uma aerotransportada no leste do país na sexta-feira (6). Segundo os militares, esta segunda operação teve como objetivo encontrar informações sobre um aviador israelense desaparecido desde os anos 1980.
Segundo duas fontes a par da situação, também houve discussões sobre o envio de soldados israelenses para o Vale do Bekaa, partes do qual são consideradas um reduto do Hezbollah. Uma dessas fontes disse que nenhuma decisão foi tomada.
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) declarou ter observado operações militares em vários locais no sul do país, e uma fonte a par da movimentação do Exército israelense disse ter visto soldados do país realizando trabalhos de engenharia em várias posições a pelo menos 1 km dentro do território libanês. Isso pode ser sinal de que Israel planeja manter essas posições, segundo a fonte.
O Exército do Líbano retirou-se de quase todas as suas posições ao longo da chamada Linha Azul no sul do país, segundo duas fontes a par desse deslocamento. Moradores de três vilarejos disseram ao Financial Times ter visto comboios de militares deixando seus postos perto de posições militares israelenses dentro do Líbano.
O chefe das Forças Armadas israelenses, Eyal Zamir, disse a comandantes no domingo que a operação exigirá “paciência”. “Isto levará bastante tempo, vocês precisam estar preparados para isso, e levará o tempo que for necessário, não importa quanto”, disse.
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Uma explosão nos subúrbios do sul de Beirute após um ataque israelense — Foto: Reuters/Khalil Ashawi
Fonte: Valor Econômico
