Por Richard Milne, Financial Times
04/08/2023 17h15 Atualizado há 2 dias
A AP Moller-Maersk alertou nesta sexta-feira que uma contração no comércio mundial será mais longa e profunda do que a gigante do transporte de contêineres temia, uma vez que as empresas estão reduzindo seus estoques diante dos riscos de recessão na Europa e nos EUA.
O grupo dinamarquês de transporte e logística disse que a demanda global por contêineres — considerada uma representação do comércio global — cairá entre 1% e 4% este ano, contra uma previsão anterior de uma contração de 2,5% a um crescimento de 0,5%.
O transporte de contêineres, um setor cujo destino está ligado à globalização, teve um “boom” histórico entre 2020 e 2022, com grupos varejistas e industriais lutando para refazer seus estoques e responder à demanda reprimida desencadeada após o fim dos “lockdowns” da pandemia de covid-19. Mas as linhas de transporte de contêineres estão tendo um ano muito mais difícil, com seus clientes reduzindo os estoque e com a expectativa de chegada de um grande número de novos navios encomendados durante a forte demanda por bens da pandemia.
Mesmo assim, um desempenho melhor que o esperado no primeiro semestre foi suficiente para a Maersk elevar sua previsão de lucro anual. Ela alertou que o restante de 2023 será mais difícil.
Vincent Clerc, o novo presidente-executivo da Maersk, disse ao “Financial Times” que essa é uma sensação “agridoce”, pois o primeiro semestre vigoroso foi um contrapeso às preocupações com o futuro, especialmente o número de novos navios que serão entregues nos próximos 12 a 24 meses.
“Estamos no meio da maior correção depois do boom da covid de 2021 e 2022”, disse ele. “É sempre difícil lidar com uma mudança tão radical na demanda… Há uma carteira de pedidos bastante significativa que será atendida gradualmente. Isso deverá criar uma perspectiva comercial difícil. Esperamos uma correção contínua nos ganhos.”
No segundo trimestre, as receitas da Maersk caíram 40% em relação ao mesmo período do ano passado, para US$ 13 bilhões, enquanto seus lucros antes dos juros, impostos, depreciação a amortização [Ebitda] caíram 72% para US$ 2,9 bilhões, embora tenha ficado acima das expectativas dos analistas (US$ 2,4 bilhões).
A Maersk elevou sua previsão de Ebitda para o ano como um todo de US$ 8 bilhões a US$ 11 bilhões, para US$ 9,5 bilhões a US$ 11 bilhões. No auge do boom em 2022, a companhia teve um Ebitda de US$ 37 bilhões.
Durante o boom da covid, a Maersk perdeu o posto de maior linha de transporte de contêineres do mundo para a Mediterranean Shipping Company (MSC), com as duas companhias seguindo estratégias bastante diferentes.
O grupo dinamarquês procurou usar os lucros inesperados dos últimos anos para aumentar seu negócio de logística terrestre, num esforço para compensar os lucros mais voláteis de seu braço de navegação. Enquanto isso, a MSC investiu grande parte de seu dinheiro em novos navios.
Clerc reconhece que o negócio de logística da Maersk foi “otimista demais” em sua previsão após sofrer sua primeira queda trimestral de receita em vários anos. A empresa “precisa retomar a disciplina nos custos”, reduzindo a capacidade e os empregos nos próximos trimestres.
Sobre a capacidade do setor de transporte de contêineres de absorver todos os novos navios que estão chegando, Clerc disse que “haverá solavancos no caminho”, mas ele acredita que o setor será mais racional do que no passado.
A Maersk estima que a demanda global por contêineres caiu de 4% a 6,5% no segundo trimestre, em comparação ao mesmo período do ano passado, à medida que as empresas lidavam com os estoques existentes, uma desaceleração econômica na China e os temores de recessão no Ocidente.
Fonte: Valor Econômico
