As importações de equipamentos essenciais para o desenvolvimento da inteligência artificial pela China aumentaram este ano, segundo dados oficiais, impulsionando uma retomada do crescimento da balança comercial da segunda maior economia do mundo, enquanto a corrida global pela supremacia em IA se intensifica.
O valor das importações chinesas de equipamentos de processamento automático de dados — que inclui computadores e seus componentes — aumentou 50% no comparativo anual nos primeiros quatro meses de 2024, segundo dados oficiais divulgados ontem. As importações de chips de computador e outros produtos de alta tecnologia registraram ganhos de dois dígitos em relação ao mesmo período do ano passado.
A China importou US$ 1,4 bilhão em produtos da Holanda em abril, um aumento de 32% em termos anuais, apesar da recente imposição de controles à venda de equipamentos para a produção de semicondutores. O detalhamento dessas compras só será divulgado no final do mês, mas é provável que uma parte substancial seja de equipamentos da ASML para fabricar semicondutores.
O boom nas compras de equipamentos de IA ajudou o comércio chinês a voltar a crescer em abril (em termos de dólares), após quedas no mês anterior. Isso ocorre enquanto o país enfrenta crescentes tensões geopolíticas sobre o comércio e a política industrial.
As importações cresceram 8,4% ao ano em termos de dólares em abril, superando as expectativas dos analistas de uma alta de 5%, de uma queda de 1,9% em março.
As exportações também se recuperaram, aumentando 1,5%, resultado que ficou em linha com as expectativas e revertendo uma queda anual de 7,5% em março, quando preços mais baixos prejudicaram os produtores.
A recuperação nas exportações foi puxada pelo aumento nos embarques de bens duráveis e de alta tecnologia, incluindo automóveis. Por outro lado, caiu a demanda por aço e vestuário. As exportações para o Brasil e as economias do Sudeste Asiático lideraram o crescimento, enquanto as para os EUA e a União Europeia caíram.
“Para as importações, a força foi intensamente concentrada em algumas categorias”, disse Lynn Song, economista-chefe da ING na China. “O principal tema, em nossa opinião, é a meta de competir na corrida pela IA.” Em comparação, muitas outras categorias de importação, incluindo produtos agrícolas, carvão e cosméticos, permaneceram “em forte contração”.
O governo chinês está contando com um renascimento da manufatura, especialmente em suas indústrias de alta tecnologia, para impulsionar o crescimento econômico e compensar o investimento imobiliário em queda, a fraca confiança do consumidor e os gastos ineficientes com infraestrutura.
Em abril, a China relatou uma expansão anual do PIB de 5,3% no primeiro trimestre — as autoridades estabeleceram uma meta de crescimento de 5% para 2024, mas os analistas consideram essa meta ambiciosa demais.
Pequim tem evitado implementar estímulos abrangentes, mas anunciou mais apoio às fábricas, incluindo um programa para indústrias “atualizarem” equipamentos e os consumidores comprarem novos eletrodomésticos.
Na área de IA, a China buscou criar um ambiente regulatório favorável para estimular o crescimento, usando incentivos fiscais e subsídios. No entanto, as empresas de tecnologia chinesas foram prejudicadas por restrições crescentes às exportações dos EUA e seus aliados, que ameaçam cortar o acesso a semicondutores e equipamentos de fabricação de chips vitais para o desenvolvimento de IA.
Economistas alertam que Pequim precisa fazer mais para aumentar a confiança dos consumidores e dos investidores por meio de estímulos diretos e do reforço da rede de seguridade social.
EUA e Europa acusam Pequim de práticas comerciais injustas e de aumentar a oferta muito além da demanda doméstica, levando os exportadores chineses a despejar bens artificialmente baratos e subsidiados nos mercados no exterior. (Com agências internacionais)
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fonte: valor econômico
