Por Jonathan Cable, Leika Kihara e Lucia Mutikani, Reuters — Londres, Tóquio e Washington
01/06/2023 11h05 Atualizado há 11 horas
A fraca demanda global aprofundou o declínio na atividade industrial na Europa e nos EUA e continuou sendo um grande desafio para muitos dos grandes exportadores da Ásia, mostraram ontem pesquisas de negócios relacionadas ao mês de maio.
Os índices de atividade da S&P Global (PMI) da zona do euro ficaram ainda mais abaixo da linha de contração, de 50 pontos, apesar dos cortes de preços das fábricas pela primeira vez desde setembro de 2020. No Reino Unido, a produção caiu pelo terceiro mês consecutivo e os novos pedidos caíram no ritmo mais rápido em quatro.
Nos EUA, o setor industrial se contraiu pelo sétimo mês consecutivo — o mais longo período de retração desde 2009 —, pois os novos pedidos continuaram a despencar em meio a taxas de juros mais altas. O indicador do Instituto para Gestão de Oferta (ISM) caiu para 46,9 em maio, de 47,1 pontos registrados em abril.
O setor de serviços dos EUA tinha se expandido apenas modestamente em abril, contido pelo ritmo mais fraco da atividade empresarial em quase três anos. O ISM ficou em 51,9 no mês passado em comparação aos 51,2 de março. O índice geral de atividade empresarial caiu 3,4 pontos, para 52, ainda mostrando crescimento, mas em um ritmo mais lento desde maio de 2020.
E embora os PMIs da China e Japão tenham mostrado oscilações na atividade industrial, crescendo no mês passado, eles contrastaram com os indicadores fracos da Coreia do Sul, Vietnã e Taiwan, onde as quedas seguem contínuas.
Compilado pela S&P Global, o PMI industrial final para a zona do euro caiu de 45,8 pontos em abril para 44,8 pontos em maio, um pouco acima da leitura de 44,6 — mas abaixo da marca dos 50 pontos que separa o crescimento da contração pelo 11 mês seguido.
Um índice que mede a produção industrial do bloco e alimenta o PMI composto que deve ser anunciado na segunda-feira e que é visto como um bom indicador da saúde econômica da zona do euro, caiu para o menor patamar em seis meses: de 48,5 para 46,4 pontos.
“A fraqueza na demanda industrial, que ficou cada vez mais evidente desde o começo do ano na queda das leituras do PMI, levou as empresas consultadas a reduzir sua produção pelo segundo mês seguido”, diz Cyrus de la Rubia, economista-chefe do Hamburg Commercial Bank (HCOB). “A queda nos novos pedidos, internos e do exterior, sinaliza que a fraqueza na produção industrial deve persistir por vários meses.”
O declínio se mostrou generalizado, com a atividade encolhendo nas quatro maiores economias da zona do euro (Alemanha, França, Itália e Espanha).
As fábricas que reduziram seus preços, depois da maior queda dos custos de produção desde fevereiro de 2016, não conseguiram reverter a queda da demanda.
A queda nos preços foi bem-recebida pelas autoridades do Banco Central Europeu (BCE), que até agora não conseguiram devolver a inflação à meta, apesar de embarcarem no mais agressivo programa de aperto da política monetária da história do banco.
A inflação no mês passado foi de 6,1%, mais de três vezes a meta do BCE, segundo mostram dados oficiais divulgados ontem.
Já o conjunto irregular dos PMIs asiáticos aponta para uma recuperação desigual da pandemia, especialmente na China, afetando o crescimento da região.
“As índices PMIs sugerem que a recuperação econômica da China ainda estava em andamento em maio, embora em um ritmo mais lento. A diminuição do apoio fiscal pesou sobre a atividade no setor da construção”, diz Julian Evans-Pritchard, analista da consultoria Capital Economics. “Mas a produção industrial aumentou e o setor de serviços ainda registra bons ganhos, sugerindo que o crescimento do PIB no segundo trimestre poderá não ser tão ruim quanto muitos temiam”, afirma o analista.
O PMI industrial Caixin/S&P Global da China subiu de 49,5 pontos em abril para 50,9 em maio. A leitura superou a expectativa de 49,5 apurada em uma pesquisa da Reuters, um forte contraste com uma contração mais profunda da atividade vista no PMI oficial divulgado na quarta-feira.
Mas a confiança nos negócios na China para os próximos 12 meses caiu para o menor nível em sete meses, em meio a preocupações com as perspectivas econômicas mundiais, segundo a Caixin.
O PMI final do Jibun Bank para o Japão subiu para 50,6 pontos em maio, a primeira leitura acima dos 50 pontos desde outubro, já que a reabertura atrasada da economia, devido às restrições impostas pela pandemia, aumentou a demanda.
No entanto, um dado separado divulgado quarta-feira mostrou que a produção industrial japonesa caiu inesperadamente em abril.
Em outras partes da Ásia, o PMI da Coreia do Sul ficou em 48,4 pontos em maio, caindo em seu mais longo período de leituras contracionistas em 14 anos. Vietnã, Malásia e Taiwan também registraram contração da atividade industrial em maio. Já na Índia, essa atividade teve o maior crescimento desde outubro de 2020, um sinal de que a demanda e a produção vigorosas estão sustentando a terceira maior economia da Ásia.
Fonte: Valor Econômico