O Goldman Sachs está emitindo um alerta cauteloso sobre a economia dos Estados Unidos, elevando sua projeção de inflação e reduzindo sua perspectiva de crescimento em resposta à disparada dos preços do petróleo causada por interrupções no Estreito de Ormuz. Mas mesmo com os riscos de recessão em alta, o cenário-base da maior parte de Wall Street continua sendo crescimento mais lento — e não uma recessão propriamente dita.
Em sua atualização semanal sobre a economia americana publicada na terça-feira, o Goldman disse que agora espera que o Brent tenha uma média de US$ 105 por barril em março e US$ 115 em abril, antes de recuar para US$ 80 até o final do ano, assumindo aproximadamente seis semanas de interrupções na oferta pelo Ormuz. Com base nessa revisão da perspectiva para o petróleo, o banco elevou sua projeção para a inflação cheia medida pelo PCE [Personal Consumption Expenditures, índice de preços de gastos com consumo pessoal] em 0,2 ponto percentual, para 3,1% até dezembro de 2026, e reduziu sua estimativa de crescimento do PIB para o ano inteiro para 2,1%. O Goldman também elevou sua probabilidade de recessão em 5 pontos percentuais — para 30% — embora tenha enfatizado que uma recessão ainda não é seu cenário-base.
Uma relativa tranquilização: o Goldman não espera que o choque do petróleo desancore de forma duradoura as expectativas de inflação. Mesmo choques energéticos significativos na história recente não produziram mudanças duradouras nas expectativas de consumidores e empresas sobre onde os preços se estabilizariam, observou o banco, embora tenha sinalizado a psicologia inflacionária pós-pandemia como um risco que merece atenção.
Alguns analistas veem probabilidades de recessão ainda mais altas
As opiniões em Wall Street divergem de forma significativa, com alguns oferecendo alertas mais dramáticos do que o Goldman sobre uma potencial recessão. Bob Michele, do JPMorgan, alertou que a guerra com o Irã não é meramente um “obstáculo temporário” inflacionário, contestando as próprias projeções do Fed e argumentando que as pressões de preços podem permanecer persistentes [sticky] bem adentro do segundo semestre. A EY-Parthenon coloca as chances de recessão em 40%, citando efeitos em cascata sobre a infraestrutura de GNL [gás natural liquefeito] e sistemas de refino para além do próprio mercado de petróleo. Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics, argumentou que as chances de recessão já estavam próximas de 50% — antes de a guerra eclodir.
Mas outros veem o copo da economia consideravelmente mais cheio. O BNP Paribas argumenta que os EUA estão “bem posicionados para absorver o choque”, apontando para o status do país como maior produtor mundial de petróleo e exportador líquido de energia — uma vantagem estrutural que simplesmente não existia durante os choques do petróleo dos anos 1970 e 1980. Preços mais altos do petróleo redistribuem renda dentro da economia americana em vez de drená-la para o exterior, limitando o dano macroeconômico. Os EUA também utilizam significativamente menos energia por unidade de PIB do que em décadas anteriores, atenuando o impacto inflacionário que choques de oferta passados provocaram.
O Fed caminha sobre uma linha tênue
O Federal Reserve manteve sua taxa de juros básica [policy rate] estável em 3,5%–3,75% na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) da semana passada — uma decisão que o Goldman classificou como “um pouco mais hawkish [inclinada ao aperto monetário] do que o esperado”. O presidente Jerome Powell reconheceu o risco inflacionário do petróleo, ao mesmo tempo em que colocou as preocupações com emprego e preços em pé de igualdade, sinalizando que cortes de juros permanecem possíveis, mas não são iminentes. O Goldman ainda espera dois cortes de 25 pontos-base em setembro e dezembro, levando as taxas para 3%–3,25% até o final do ano, e contestou os preços de mercado que começaram a embutir altas de juros [rate hikes].
O desfecho depende fortemente de uma variável: quanto tempo durarão as interrupções no Ormuz. Uma desescalada rápida permitiria que os prêmios de risco do petróleo se dissipassem e limitaria o dano econômico a alguns décimos de ponto percentual de crescimento. Um conflito prolongado, por outro lado, enraizaria os custos de energia, comprimiria os gastos do consumidor e forçaria o Fed a um canto cada vez mais desconfortável. O Goldman atualmente classifica esse pior cenário — severo e sustentado — como exatamente isso: um risco de cauda [tail risk], não uma previsão.
Por ora, o cenário-base na maior parte de Wall Street é o de uma economia que desacelera, mas se sustenta — com a inflação rodando mais quente do que o Fed gostaria, o crescimento abaixo de seu potencial de longo prazo, e os próximos meses de notícias geopolíticas determinando qual cenário prevalecerá ao final.
Fonte: Fortune
Traduzido via ChatGPT
