A agência de classificação de risco Fitch reafirmou sua classificação da nota de crédito do Brasil em ‘BB’, com perspectiva estável.
Segundo a instituição, o rating do Brasil é sustentado por sua economia grande e diversificada, sólidas finanças externas e por mercados locais profundos, que sustentam a flexibilidade de financiamento soberano, e uma baixa participação da dívida em moeda estrangeira.
De outro lado, a agência aponta que a nota de crédito enfrenta desafios oriundos da crescente relação entre dívida pública e PIB, rigidez orçamentária, baixos índices de governança e crescimento potencial relativamente baixo.
“As incertezas fiscais continuam a ser uma fonte de risco macroeconômico mais amplo, tendo se manifestado na recente volatilidade do mercado, e as perspectivas de reformas estruturais para lidar com os desequilíbrios subjacentes provavelmente não ficarão mais claras até depois das eleições de 2026″, aponta a Fitch, em comunicado divulgado há pouco.
A agência de classificação de risco também aponta que o governo Lula enfrenta uma crescente resistência do Congresso sobre novos aumentos de impostos, enquanto recentes esforços administrativos fiscais decepcionaram e as pressões sobre os gastos continuam altas. “Um pacote fiscal apresentado no final de 2024 para tratar dessas questões estruturais agravou, em vez de aliviar, as incertezas, provocando a volatilidade do mercado”, lembra a instituição.
A Fitch ainda nota que, apesar de os mercados terem exibido menor volatilidade em 2025, há novas incertezas fiscais relacionadas a medidas compensatórias para a reversão do aumento no imposto sobre transações financeiras (IOF), que enfrenta uma reação legislativa negativa, e um aumento prometido no limite de isenção do imposto de renda de pessoa física.
A agência também se mantém atenta ao processo eleitoral do ano que vem. Na visão da Fitch, as relações entre o Executivo e o Legislativo renderam importantes conquistas recentes, como a reforma do imposto sobre o consumo, mas se tornaram tensas em relação às medidas fiscais e às emendas parlamentares.
“As próximas eleições de outubro de 2026 podem aumentar os incentivos para políticas populistas, especialmente à luz de um declínio nos índices de aprovação do governo Lula, como os já anunciados subsídios para serviços públicos e possíveis aumentos nos benefícios sociais, conforme observado no último ciclo eleitoral. Em nossa opinião, as eleições não representam um risco de grandes desvios na política econômica, mas podem moldar o sentimento do mercado e as perspectivas de reformas fiscais cruciais para a perspectiva econômica”, concluem.
Fonte: Valor Econômico
